A deterioração do resultado do balanço de pagamentos em conta-corrente, que é um dos indicadores que mede a solvência externa do país, pode decorrer
- A)da redução do investimento estrangeiro direto.
Errada: a redução do investimento estrangeiro direto afeta a conta financeira, não é causa direta da deterioração da conta-corrente.
- B)da redução do investimento estrangeiro em renda fixa em decorrência da queda da taxa SELIC.
Errada: a menor entrada de capital em renda fixa também mexe na conta financeira, e não explica diretamente a piora da conta-corrente.
- C)do aumento dos gastos de brasileiros com turismo fora do país.
Certa: mais gastos de brasileiros com turismo no exterior aumentam a saída de divisas em serviços, piorando a conta-corrente.
- D)da redução de transferências unilaterais para outros países.
Errada: a redução de transferências unilaterais para outros países tenderia a melhorar, e não piorar, a conta-corrente.
- E)do aumento da participação acionária de empresas nacionais em joint ventures estrangeiras.
Errada: o aumento da participação acionária em joint ventures estrangeiras se relaciona à conta financeira, não à conta-corrente.
Gabarito: C
A conta-corrente do balanço de pagamentos registra, em resumo, a troca de bens, serviços, renda e transferências correntes do país com o resto do mundo. Se essa conta piora, normalmente é porque saem mais divisas do que entram nesses itens. Pense nela como a “fatura” externa do país: quanto mais o brasileiro compra lá fora, mais essa conta sente o peso. No caso da questão, o ponto central é o turismo internacional. Quando brasileiros gastam mais em viagens ao exterior, esses gastos entram como despesa de serviços na conta-corrente, aumentando a saída de recursos. Resultado: o saldo da conta-corrente fica mais negativo ou menos positivo, deteriorando o indicador de solvência externa. Por isso, a alternativa C está correta. Não é preciso haver crise cambial dramática para isso acontecer: basta a conta de serviços crescer do lado das saídas. Esse tipo de item é bem clássico em macroeconomia aberta e aparece diretamente na lógica do Balanço de Pagamentos, conforme a estrutura do Manual do Balanço de Pagamentos do FMI e sua adoção na estatística externa brasileira. As demais alternativas falam de fluxos da conta financeira ou de movimentos que, em geral, podem até aliviar a necessidade de financiamento externo, mas não explicam diretamente a piora da conta-corrente. Na prova, o segredo é separar: conta-corrente olha para transações correntes; conta financeira olha para entrada e saída de capitais. Não misture os dois, porque a banca adora essa troca de chapéu.