O desenvolvimento da gestão de riscos abrange conduzir um processo multidisciplinar e coletivo que envolve diferentes decisões a cada etapa do processo. Por exemplo, na gestão de uma unidade hospitalar, uma das etapas iniciais é mapear os principais fatores internos e externos que podem afetar o alcance dos objetivos e os resultados de uma organização pública, como, por exemplo, a identificação de potenciais questões epidemiológicas, ou mudanças em legislações pertinentes aos serviços prestados. Essa etapa do processo é denominada:
- A)avaliação dos riscos;
Errada, porque a avaliação dos riscos ocorre depois de definido o contexto e serve para identificar, analisar e comparar os riscos.
- B)melhoria contínua;
Errada, porque melhoria contínua é um princípio de gestão, não a etapa que inicia o processo de mapeamento do ambiente interno e externo.
- C)estabelecimento do contexto;
Certa, porque a descrição corresponde ao estabelecimento do contexto, etapa em que se analisam fatores internos e externos e os critérios do processo.
- D)consulta às partes interessadas;
Errada, porque a consulta às partes interessadas é uma atividade importante, mas não é a etapa descrita no enunciado.
- E)tratamento dos riscos.
Errada, porque tratamento dos riscos é a fase posterior à identificação e avaliação, quando se definem respostas para os riscos já reconhecidos.
Gabarito: C
Em gestão de riscos, a primeira providência não é sair classificando tudo como perigo, nem já decidir como resolver. Antes disso, você precisa entender o cenário em que a organização está inserida. É exatamente isso que a norma chama de estabelecimento do contexto: definir o ambiente interno e externo, os objetivos, os limites e os critérios que vão orientar todo o processo de gestão de riscos. Na prática, essa etapa funciona como o mapa da missão. Se você está administrando uma unidade hospitalar, precisa olhar para fatores como perfil epidemiológico, mudanças regulatórias, capacidade instalada, recursos humanos, tecnologia disponível e até pressões do ambiente externo. Sem esse enquadramento inicial, a avaliação dos riscos fica meio no escuro, como tentar montar um prontuário sem saber de qual paciente se fala. Depois de estabelecer o contexto, aí sim vem a avaliação dos riscos, que envolve identificar, analisar e comparar os riscos com os critérios definidos. Em seguida, decide-se o tratamento dos riscos, e ao longo de tudo isso a consulta às partes interessadas ajuda a dar visão prática e coletiva ao processo. A melhoria contínua, por sua vez, é um princípio de gestão, mas não uma etapa inicial específica desse ciclo. Esse encadeamento está alinhado à lógica adotada em referenciais como a ABNT NBR ISO 31000, amplamente usada como base doutrinária em gestão de riscos: primeiro compreende-se o contexto, depois se avaliam os riscos e só então se tratam as prioridades. Por isso, o gabarito correto é a letra C.