O Complexo Econômico‑Industrial da Saúde (CEIS) abrange segmentos produtivos (industriais e de serviços) articulados na área da saúde, com relação sistêmica entre si. Apesar da relevante base produtiva do CEIS instalada no Brasil, observa-se alta dependência de produtos fabricados internacionalmente. Nesse sentido, uma das consequências é:
- A)a vulnerabilidade do abastecimento do SUS e da inserção competitiva no plano internacional do CEIS.
Correta: a dependência de produtos estrangeiros aumenta a vulnerabilidade do abastecimento do SUS e enfraquece a competitividade do CEIS.
- B)a substituição das importações, com crescimento da indústria nacional de saúde.
Errada: a questão fala em dependência externa, que é o oposto de substituição de importações e fortalecimento da indústria nacional.
- C)a instituição do Plano Brasil Maior, em 2016, com foco no estímulo à inovação e à competitividade da saúde.
Errada: o Plano Brasil Maior é de 2011, não de 2016, e a alternativa ainda distorce o contexto da política industrial.
- D)a instituição da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (PITCE) objetivando o fortalecimento dos bens de capital e insumos da saúde, com exceção dos fármacos.
Errada: a PITCE buscou fortalecer vários setores estratégicos, inclusive fármacos, não excluí-los.
- E)a instituição do Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social na Área da Saúde (CEBAS), como forma de estimular o crescimento do CEIS.
Errada: o CEBAS é um certificado voltado à filantropia e isenção para entidades beneficentes, não um instrumento de estímulo direto ao crescimento do CEIS.
Gabarito: A
O Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) reúne indústria, serviços e tecnologia ligados à saúde, todos conectados numa mesma cadeia produtiva. A ideia central é simples: quando um país depende demais de produtos e insumos vindos de fora, ele fica mais exposto a crises de oferta, preço e logística. Na saúde, isso pesa muito porque não dá para "esperar o mercado se ajeitar" quando faltam medicamentos, equipamentos ou insumos no SUS. É exatamente por isso que a alta dependência de produtos fabricados internacionalmente gera vulnerabilidade. O SUS pode sofrer com desabastecimento, atraso no acesso e aumento de custos, além de perder capacidade de competir e inovar no cenário internacional. Em outras palavras: se a base produtiva é forte, mas os insumos críticos vêm de fora, a autonomia do sistema fica frágil. A banca FGV gosta de cobrar essa lógica sistêmica do CEIS: não basta falar em saúde como atendimento, porque aqui o foco é produção, inovação, cadeia industrial e soberania sanitária. Então, quando a questão aponta dependência externa, a consequência natural é a fragilidade do abastecimento e da competitividade do complexo. Por isso, o gabarito é a letra A. As demais alternativas tentam misturar políticas públicas e programas reais, mas colocam datas, objetivos ou efeitos de forma errada. O ponto central da questão não é uma política específica, e sim o efeito da dependência externa sobre o CEIS e o SUS.