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Finanças Públicas · FGV · 2024

Questão comentada de Finanças Públicas

As seguintes afirmativas acerca das características dos bens públicos estão corretas, com exceção de uma. Assinale-a.

Gabarito: A

Bens públicos são aqueles que, em regra, têm não rivalidade e não exclusão: quando alguém usa, isso não reduz o uso dos demais, e ninguém fica facilmente de fora. O exemplo clássico é a defesa nacional ou a iluminação de ruas. Por isso, a discussão sobre provisão estatal aparece logo aqui, porque o mercado puro tende a oferecer menos do que o socialmente desejável, já que cada um tenta se beneficiar sem pagar a conta inteira. Quando o bem público é indivisível, a análise de eficiência parte da ideia de somar os benefícios individuais. Se a oferta é do tipo "sim ou não", a provisão eficiente ocorre quando a soma dos preços de reserva, isto é, quanto cada contribuinte estaria disposto a pagar, cobre o custo do bem. Se a quantidade puder variar, a regra de eficiência em Pareto é somar as taxas marginais de substituição e igualar ao custo marginal. Isso é a velha lógica de Samuelson, muito cobrada em finanças públicas. A alternativa A é a exceção porque ela distorce a característica central do bem público. O ponto não é que toda pessoa "não tem de consumir a mesma quantidade"; bens públicos se distinguem por não rivalidade no consumo e não exclusão, e não por essa formulação. Em outras palavras, o problema não é que cada um consuma quantidades diferentes, mas que o consumo de um não reduz o consumo do outro. Na prática, a banca costuma misturar conceitos de bem público, provisão eficiente e problema do carona. O carona aparece porque, se ninguém é obrigado a pagar, cada um prefere deixar o outro bancar o bem e ainda aproveitar o benefício. Resultado: o mercado tende a subofertar, e o Estado ou mecanismos coletivos entram para tentar corrigir isso.

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