Considerando a função estabilizadora, assinale a opção que apresenta a estática comparativa que explica a aplicação de uma política econômica adequada para corrigir as flutuações econômicas indicadas.
- A)Devido à inflação elevada, o governo tributa os “super-ricos” e redireciona os recursos para um auxílio financeiro aos estratos de renda inferiores.
Errada, porque tributar os mais ricos e transferir renda é medida distributiva, ligada à função redistributiva, e não a resposta típica para controlar inflação.
- B)Frente ao excesso de demanda, o governo reduz as taxas referenciais de juros como forma de estimular os investimentos e o crescimento da renda.
Errada, porque reduzir juros em cenário de excesso de demanda tende a estimular ainda mais consumo e investimento, piorando a pressão inflacionária.
- C)Em um cenário de aumento generalizado e crescente dos preços, o governo reduz seus gastos, como forma de induzir a retração no consumo da economia.
Certa, porque diante de inflação e aumento generalizado de preços, a redução de gastos públicos é medida contracionista que diminui a demanda agregada.
- D)Em um cenário de baixo crescimento, o Estado pode intervir diretamente na produção de bens e serviços privados como forma de estimular o crescimento econômico.
Errada, porque intervenção direta na produção de bens e serviços privados não é a resposta padrão da função estabilizadora para baixo crescimento.
- E)No caso de salários reais acima do ponto de equilíbrio entre oferta e demanda por trabalho, o governo define um salário-mínimo abaixo desse equilíbrio.
Errada, porque um salário-mínimo abaixo do equilíbrio não corrige salários reais acima do ponto de equilíbrio; além disso, a medida não se encaixa na lógica estabilizadora apresentada.
Gabarito: C
A função estabilizadora do Estado é aquela que tenta “acalmar” a economia quando ela sai do eixo: se a atividade aquece demais, o governo age para frear a demanda; se a economia desacelera, ele tenta estimular consumo e investimento. Em outras palavras, a lógica é anticíclica, para suavizar inflação, recessão e desemprego. Na prática, isso aparece sobretudo por meio da política fiscal e, em parte, da política monetária. Quando há inflação alta ou excesso de demanda, a receita clássica é contracionista: reduzir gastos públicos, elevar tributos ou retirar liquidez da economia. Quando há baixo crescimento, a reação costuma ser o contrário, com aumento de gastos ou redução de impostos. Por isso o gabarito é a letra C. Se os preços estão subindo de forma generalizada e crescente, cortar gastos públicos ajuda a reduzir a demanda agregada, pressionando menos os preços. É a velha conta de padaria da macroeconomia: menos gasto público, menos aquecimento da economia. Em termos de doutrina de Finanças Públicas, isso corresponde à função estabilizadora descrita por Musgrave, bastante cobrada em concurso. A ideia central não é “fazer tudo pelo mercado” nem “resolver todo problema por intervenção direta”, mas usar instrumentos de política econômica para corrigir flutuações e estabilizar o nível de atividade.