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Economia · FGV · 2025

Questão comentada de Economia

Um importante desafio para o regulador é determinar qual política regulatória será mais adequada, diante do trade-off existente entre eficiência e custo da renda informacional: ao mesmo tempo em que deseja extrair renda dos regulados, de forma a viabilizar a modicidade tarifária, o regulador também se importa com o incentivo à redução de custos, com vistas ao incremento da produtividade do setor regulado. Com base nesse cenário, é correto afirmar que:

Gabarito: B

A questão trata do velho dilema da regulação: quanto mais o regulador tenta proteger o consumidor e puxar a tarifa para baixo, mais ele precisa lidar com o incentivo da empresa para cortar custos e ser eficiente. Em economia da regulação, isso aparece no trade-off entre eficiência alocativa e eficiência produtiva. Se a tarifa reproduz muito bem os custos da firma, o consumidor tende a perder; se o regulador aperta demais, a firma pode perder o estímulo para inovar e reduzir custos. O preço teto puro é um modelo clássico de regulação por incentivos. Nele, a firma fica com parte do ganho obtido ao reduzir custos, porque a tarifa não sobe automaticamente quando ela gasta menos. Isso faz a empresa virar, em parte, a beneficiária residual da própria eficiência, o que aumenta o incentivo para produzir melhor e gastar menos. Ao mesmo tempo, justamente por não repassar toda a informação de custos ao regulador, esse modelo extrai pouco da renda informacional e pode não garantir a menor tarifa possível no curto prazo. Por isso, o item B está correto: o preço teto puro favorece a eficiência produtiva, mas é fraco para extrair renda e, assim, pode não gerar tarifas tão módicas quanto regimes mais intervencionistas. Essa é uma formulação bem alinhada com a doutrina de regulação econômica e com a lógica dos modelos de price cap, consagrados na literatura de incentivos regulatórios. As demais alternativas misturam conceitos. Há troca entre yardstick, sliding scale, custo do serviço e até efeitos como moral hazard, seleção adversa e Averch-Johnson, que não aparecem do jeito descrito. A banca costuma fazer isso: joga nomes corretos na frase errada, como quem monta um quebra-cabeça com peças trocadas.

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