Assuma que a economia possua apenas um mercado financeiro, o mercado de fundos para empréstimos. Poupadores e tomadores de crédito se encontram nesse mercado para realizar transações. Assinale a opção que indica a estatística descritiva que não descreve corretamente a dinâmica desse mercado.
- A)Quando o governo reduz o imposto aplicado sobre a poupança, a oferta de fundos aumenta e a taxa real de juros diminui.
Certa: reduzir imposto sobre a poupança tende a estimular a oferta de fundos e a pressionar a taxa real de juros para baixo.
- B)Quando o governo gera crédito tributário sobre a investimento, a demanda por fundos aumenta e a taxa real de juros aumenta.
Errada: crédito tributário sobre o investimento estimula a demanda por fundos, mas isso tende a elevar, e não reduzir, a taxa real de juros.
- C)Quando o governo incorre em déficit orçamentário, a oferta de fundos se contrai, o que eleva a taxa real de juros.
Certa: déficit orçamentário reduz a poupança pública e a oferta de fundos, o que costuma elevar a taxa real de juros.
- D)Quando o governo aumenta a poupança nacional por meio de superávit orçamentário, a taxa real de juros se reduz e o investimento aumenta.
Certa: superávit orçamentário aumenta a poupança nacional, reduz juros reais e estimula o investimento.
- E)Quando o governo reduz a poupança pública, via queda da carga tributária, eleva-se o investimento via tomada de crédito, levando à redução do efeito crowding-out.
Errada: a queda da poupança pública reduz a oferta de fundos e tende a aumentar a taxa de juros, o que gera mais crowding-out, não menos.
Gabarito: E
No mercado de fundos para empréstimos, a lógica é bem direta: quem poupa oferece recursos, quem investe pede recursos, e o preço desse encontro é a taxa real de juros. Se a poupança disponível aumenta, a oferta de fundos sobe e os juros tendem a cair. Se a demanda por fundos cresce, os juros sobem. Simples, sem drama de novela econômica. Agora vem o ponto central da questão: a poupança nacional depende da poupança privada e da poupança pública. Quando o governo faz superávit, a poupança pública aumenta, a oferta de fundos para empréstimos se expande, a taxa de juros cai e o investimento tende a aumentar. Quando o governo faz déficit, ocorre o contrário: a poupança nacional cai, a oferta de fundos se contrai e os juros sobem, afetando o investimento. É exatamente por isso que a alternativa E está errada. Reduzir a poupança pública por meio de queda da carga tributária não leva, em regra, a aumento do investimento via expansão do crédito. O efeito esperado é o oposto: menor poupança nacional, menor oferta de fundos, juros mais altos e investimento menor, com maior crowding-out. Essa é a lógica clássica do modelo de fundos emprestáveis, muito usada em macroeconomia e compatível com a abordagem de Mankiw e outros manuais de referência. Então, se você lembrar da regra de ouro da questão, fica fácil: mais poupança -> juros menores -> investimento maior; menos poupança -> juros maiores -> investimento menor. A banca gosta de trocar o sentido do efeito para testar se você decorou a teoria ou realmente entendeu o mecanismo.