Das estáticas comparativas a seguir, está correta:
- A)aumento da poupança pública em conta-corrente eleva déficit público;
Errada, porque aumento da poupança pública em conta-corrente tende a melhorar, e não piorar, o resultado fiscal, reduzindo o déficit público.
- B)aumento das transferências do governo eleva a carga tributária líquida;
Errada, porque transferências do governo aumentam o gasto público, mas não elevam por si sós a carga tributária líquida.
- C)aumento dos juros da divida pública eleva o déficit primário do setor público;
Errada, porque juros da dívida entram no déficit nominal, não no déficit primário, que exclui essa despesa.
- D)aumento da taxa real de juros eleva o déficit nominal do setor público;
Certa, porque a alta da taxa real de juros eleva o custo da dívida e piora o déficit nominal do setor público.
- E)desvalorização cambial reduz o déficit operacional do setor público.
Errada, porque a desvalorização cambial tende a aumentar o valor da dívida indexada ou externa em moeda doméstica, o que pode piorar, e não reduzir, o déficit operacional.
Gabarito: D
Para entender essa questão, pense que o setor público tem diferentes medidas de resultado: o déficit primário exclui os juros da dívida, o déficit nominal inclui os juros nominais, e o déficit operacional tenta retirar o efeito inflacionário sobre a dívida. Em prova, a banca adora trocar essas definições como quem troca tampa de pote: se você confunde uma medida com outra, cai na pegadinha. A letra D está correta porque, se a taxa real de juros sobe, o custo de carregar a dívida aumenta. Na prática, isso tende a elevar o pagamento de juros nominais e, portanto, piorar o déficit nominal do setor público. Em termos contábeis e de finanças públicas, juros maiores significam despesa maior no resultado nominal. Já o déficit primário não inclui juros, então mudanças na taxa de juros da dívida não alteram diretamente esse indicador. Esse é o tipo de detalhe que a banca FGV usa bastante: ela separa o que é resultado primário, nominal e operacional para ver se você sabe onde cada variável entra. Um atalho bom: se a questão falar em juros, pense primeiro no nominal; se falar em inflação, pense no operacional. Essa lógica é bem cobrada em economia do setor público e aparece de forma consistente nos manuais de finanças públicas e na classificação fiscal usada pela administração pública.