Considere duas economias, doméstica e internacional, que possuem o mesmo risco cambial e realizam entre si transações comerciais e financeiras. Supondo válidas, ex-ante a paridade descoberta da taxa de juros e a paridade do poder de compra, é correto afirmar que haverá, entre os dois países, convergência de suas taxas de:
- A)inflação esperadas;
Errada, porque a PPP relaciona inflação com câmbio, mas não garante convergência automática das inflações esperadas entre países.
- B)juros nominais;
Errada, porque a UIP admite diferenças de juros nominais compensadas por expectativa de desvalorização cambial.
- C)juros reais;
Certa, porque a combinação de UIP com PPP faz a diferença entre juros nominais ser absorvida pela inflação esperada, levando à convergência dos juros reais.
- D)câmbio nominais;
Errada, porque o câmbio nominal pode variar e até divergir entre países sem contrariar as paridades dadas.
- E)câmbio reais.
Errada, porque a PPP tende a igualar preços relativos no longo prazo, mas não implica convergência direta das taxas de câmbio reais como resposta da questão.
Gabarito: C
A ideia aqui vem de duas paridades clássicas do setor financeiro internacional. Pela paridade descoberta da taxa de juros, a taxa de juros nominal de cada país incorpora a expectativa de variação cambial. Pela paridade do poder de compra, a inflação esperada fica ligada à desvalorização esperada da moeda. Juntando as duas, você percebe que a diferença entre juros nominais entre os países é explicada pela diferença entre as inflações esperadas. Agora entra a conta que costuma salvar questões da FGV: pela relação de Fisher, juros nominais = juros reais + inflação esperada. Se os juros nominais se ajustam à inflação esperada em cada economia, o que sobra para comparar, no longo da lógica ex ante, é o juro real. Quando UIP e PPP valem simultaneamente, a diferença de inflação esperada e a diferença cambial esperada “se anulam” na comparação entre países, levando à convergência dos juros reais. Ou seja, não é que os preços, o câmbio nominal ou a inflação necessariamente fiquem iguais de forma automática. O ponto central é que, sob essas paridades, os retornos reais tendem a se igualar entre as economias. É a velha história: o mercado financeiro adora jogar com nominais, mas no fim o que converge mesmo é o poder de compra do rendimento. Então o gabarito é a letra C: a validade ex ante da paridade descoberta da taxa de juros e da paridade do poder de compra implica convergência das taxas de juros reais entre os dois países.