O Segundo Teorema do Bem-Estar Social prediz que
- A)um mercado competitivo conduz a uma alocação ótima de Pareto.
Errada, porque o Primeiro Teorema do Bem-Estar é que um mercado competitivo conduz a uma alocação Pareto-eficiente, não o Segundo.
- B)a assimetria informacional não invalida o resultado de alocação eficiente do mercado.
Errada, porque assimetria informacional pode gerar falhas de mercado e impedir a eficiência competitiva.
- C)se n-1 mercados estiverem em equilíbrio, então o n-ésimo também estará.
Errada, pois isso remete ao raciocínio de equilíbrio geral e não ao Segundo Teorema do Bem-Estar Social.
- D)a eficiência de Pareto pode ser alcançada com qualquer redistribuição da riqueza inicial.
Certa, porque o teorema afirma que, com redistribuição apropriada da dotação inicial, uma alocação Pareto-eficiente pode ser obtida via equilíbrio competitivo.
- E)não há espaço para intervenções governamentais após o equilíbrio de mercado, pois esse gera o máximo de bem-estar.
Errada, porque o teorema não elimina a possibilidade de intervenção estatal; ele apenas separa eficiência de redistribuição.
Gabarito: D
O Segundo Teorema do Bem-Estar Social diz, em resumo, que eficiência e distribuição podem ser separadas em dois passos: primeiro, você redistribui a riqueza inicial; depois, deixa o mercado competitivo funcionar. Se as preferências forem convexas e houver as condições usuais do modelo, qualquer alocação eficiente de Pareto pode ser obtida como equilíbrio competitivo, desde que a dotação inicial seja ajustada de forma adequada. Parece quase mágica, mas é a velha ideia de que o mercado faz a “engenharia da eficiência”, enquanto a redistribuição cuida da justiça distributiva. Por isso, o ponto central do teorema não é dizer que o mercado sozinho resolve tudo, e sim que uma distribuição inicial apropriada pode levar a um resultado eficiente sem precisar mexer nos preços depois. Em linguagem de prova: depois de redistribuir as dotações iniciais, a economia pode chegar a uma alocação de Pareto por meio do equilíbrio competitivo. É exatamente aí que a alternativa D encaixa melhor. Ela captura a mensagem do teorema: a eficiência de Pareto pode ser alcançada a partir de uma redistribuição da riqueza inicial, com o mercado depois coordenando a alocação. A formulação clássica do resultado aparece em autores de microeconomia como Varian e Mas-Colell, e é apresentada em manuais de economia do bem-estar como separação entre eficiência e equidade. Só atenção: o teorema depende de hipóteses fortes. Se houver falhas de mercado, externalidades, bens públicos ou informação assimétrica, a conclusão perde força. Ou seja, o teorema é elegante, mas não é um passe livre para a realidade.