Em relação aos efeitos da política fiscal no crescimento econômico, avalie as afirmativas como verdadeiras (V) ou falsas (F). ( ) No longo prazo, a política fiscal afeta o crescimento por meio de mudanças no nível e na composição de tributos e de gastos, afetando os incentivos ao trabalho, aos investimentos e à produtividade. ( ) No longo prazo, uma política fiscal que eleve a relação dívida pública / PIB reduz a taxa de crescimento do PIB, pois a elevação das taxas de juros, em razão do aumento dos prêmios de risco, diminui o incentivo à acumulação de capital e reduz a produtividade do trabalho. ( ) O multiplicador fiscal, utilizado para mensurar o impacto da política fiscal na atividade econômica, pode ser expresso pela razão entre a variação no produto da economia frente à variação endógena no déficit fiscal. As afirmativas são, respectivamente
- A)V, V e V.
Errada, porque a terceira afirmativa está incorreta ao definir o multiplicador fiscal com base em variação endógena do déficit.
- B)V, V e F.
Certa, porque as duas primeiras afirmativas estão corretas e a terceira está errada.
- C)V, F e F.
Errada, porque a primeira e a segunda afirmativas são verdadeiras, não falsas.
- D)F, F e V.
Errada, porque a primeira e a segunda afirmativas não são falsas e a terceira não é verdadeira.
- E)F, F e F.
Errada, porque a primeira e a segunda afirmativas são verdadeiras.
Gabarito: B
A política fiscal não mexe só no bolso do governo no curto prazo; no longo prazo, ela também altera os incentivos de quem trabalha, investe e produz. Quando o Estado muda a carga tributária ou o tipo de gasto, ele pode estimular ou desestimular esforço, poupança, investimento e produtividade, então essa primeira afirmativa está correta. A segunda também está correta porque, se a dívida pública cresce em relação ao PIB, o mercado tende a exigir maior prêmio de risco. Isso pode elevar as taxas de juros, encarecer o crédito e desestimular a formação de capital, o que reduz o crescimento potencial. Em linguagem de prova: mais dívida, mais pressão sobre juros e menos apetite para investir. Não é mágica, é incentivo econômico. Já a terceira cai porque o multiplicador fiscal não é a razão entre a variação do produto e a variação endógena do déficit. Em geral, ele mede quanto o PIB varia quando há uma mudança exógena na política fiscal, como aumento de gasto ou corte de impostos. Se a base de comparação é déficit endógeno, a definição fica incorreta. Por isso, o gabarito é B: V, V e F. A ideia central aqui é separar efeito de curto prazo, efeito de longo prazo e a definição correta de multiplicador fiscal.