Em relação ao modelo de crescimento de Harro-Domar, analise as afirmativas a seguir. 1. O aumento do investimento agregado resulta em: (i) aumento da demanda pelo produto e (ii) aumento da capacidade da economia em elaborar o produto. 2. Existe o equilíbrio fio da navalha, em que se um país sai da trajetória de equilíbrio de longo prazo, ele não retorna mais a essa trajetória. 3. Se um país está em crescimento equilibrado, considerando uma taxa de poupança de 10% e produtividade média social potencial do capital igual a 20%, então as taxas de crescimento do investimento líquido e do produto devem ser iguais a 1%. Está correto o que se afirma em
- A)1, 2 e 3.
Esta alternativa sustenta que as três afirmativas estariam corretas. Isso não se sustenta porque, no modelo de Harrod-Domar, a taxa de crescimento de equilíbrio é dada por s/v; com poupança de 10% e produtividade do capital de 20%, o crescimento compatível seria 2%, e não 1%. Como a afirmativa 3 erra o cálculo, o conjunto 1, 2 e 3 não pode ser aceito.
- B)1 e 2, apenas.
Esta opção reúne as duas primeiras afirmativas. Ela acerta porque o modelo mostra que o investimento eleva simultaneamente a demanda agregada e a capacidade produtiva, e também descreve um equilíbrio instável de fio da navalha, no qual o sistema não se ajusta espontaneamente de volta ao crescimento balanceado se houver desvio. A terceira afirmativa falha no número: 10% de poupança com 20% de produtividade do capital implicam crescimento de 2% (0,10 x 0,20), não 1%.
- C)1 e 3, apenas.
Esta alternativa admite apenas as afirmativas 1 e 3. A primeira realmente corresponde ao Harrod-Domar, mas a terceira traz uma taxa incorreta, pois a taxa de crescimento de equilíbrio resulta de s/v e, com os dados dados, é 2%, e não 1%. Como ela inclui uma proposição numérica errada, a alternativa não se sustenta.
- D)2 e 3, apenas.
Esta opção combina as afirmativas 2 e 3. A segunda está alinhada com a ideia de instabilidade ou equilíbrio de fio da navalha do modelo, mas a terceira erra o cálculo do crescimento equilibrado, que seria 2% e não 1%. Além disso, deixa de fora a primeira afirmativa, que também é verdadeira ao descrever o efeito duplo do investimento sobre demanda e capacidade.
- E)2, apenas.
Esta alternativa reconhece apenas a segunda afirmativa. Embora o equilíbrio fio da navalha seja mesmo uma característica do modelo, a primeira também é verdadeira porque o investimento aumenta a demanda no curto prazo e o estoque de capital no longo prazo. A exclusão da afirmativa 1 torna a opção incompleta.
Gabarito: B
O modelo de Harrod-Domar é um clássico do crescimento: ele liga investimento, poupança e capacidade produtiva. A ideia central é simples e elegante - quando a economia investe mais, ela não só aquece a demanda no curto prazo, como também amplia a capacidade de produzir no futuro. Por isso, a afirmativa 1 está correta. Já a parte mais famosa do modelo é o chamado "equilíbrio fio da navalha". A trajetória de crescimento equilibrado é instável: se a economia sai dela, não há uma força automática que a faça voltar ao mesmo trilho. Em outras palavras, o caminho de equilíbrio é bem estreito e o modelo é pessimista quanto à estabilidade. Então a afirmativa 2 também está correta. A afirmativa 3 erra na conta. No Harrod-Domar, a taxa de crescimento de equilíbrio depende da relação entre a taxa de poupança e a produtividade do capital. Se a poupança é 10% e a produtividade média social potencial do capital é 20%, a taxa de crescimento associada seria 2% e não 1%. Logo, essa parte está incorreta. Resultado: corretas apenas as afirmativas 1 e 2, que levam ao gabarito B. Esse é um daqueles casos em que a banca gosta de cobrar a fórmula e, principalmente, o caráter instável do modelo.