No que se refere à economia comportamental, assinale a opção correta.
- A)A heurística ancoragem revela como as pessoas avaliam a probabilidade de ocorrência de um evento, com base nos registros já disponíveis na memória, evitando-se um viés cognitivo.
Errada, porque a heurística da ancoragem não evita viés cognitivo, ao contrário, ela é justamente uma fonte de distorção na estimativa.
- B)A influência e a intervenção no processo de escolha ocorrem por meio da restrição das opções disponíveis.
Errada, porque nudge não depende de restringir opções disponíveis, mas de alterar a arquitetura da escolha sem retirar alternativas.
- C)Nudge é uma arquitetura de escolhas que pode resultar em alterações no comportamento do indivíduo, sem prescindir da autonomia da vontade individual.
Certa, pois nudge é uma arquitetura de escolhas que influencia o comportamento sem eliminar a autonomia de decisão do indivíduo.
- D)Intervenções econômicas feitas pelo agente público para alterar o comportamento da população demonstram uma face paternalista necessária para o bem-estar da população.
Errada, porque nem toda intervenção pública é paternalista no sentido forte, e o nudge não se confunde com imposição necessária ao bem-estar.
- E)Heurísticas dificultam o processo de tomada de decisão, especialmente em situações complexas e com consequências de longo prazo.
Errada, porque heurísticas não necessariamente dificultam a decisão; elas simplificam o processo, embora possam gerar erros em certas situações.
Gabarito: C
Economia comportamental estuda como as pessoas realmente decidem, e não como o “homo economicus” da teoria clássica gostaria que elas decidissem. Na prática, o cérebro usa atalhos mentais, chamados heurísticas, que ajudam a decidir rápido, mas podem gerar vieses. É aí que entram conceitos como ancoragem, disponibilidade e framing. No caso da ancoragem, a pessoa se prende a um valor inicial, número ou referência, e isso influencia sua estimativa final. Já a ideia de nudge, muito associada a Richard Thaler e Cass Sunstein, é justamente organizar o ambiente de escolhas para influenciar o comportamento sem proibir opções nem retirar a liberdade de escolha. É um empurrãozinho, não uma imposição. Por isso, o item C está correto: o nudge é uma arquitetura de escolhas que pode mudar o comportamento, mas preserva a autonomia do indivíduo. Em outras palavras, o Estado ou o agente público pode orientar a decisão com incentivos sutis, lembretes, padrão de opção, desenho da informação, sem obrigar ninguém. Essa lógica é a base do paternalismo libertário, expressão clássica da doutrina de Thaler e Sunstein. Nas demais alternativas, a banca testa confusões comuns entre heurística, viés, restrição de opções e paternalismo duro. Se a intervenção elimina escolhas ou impõe condutas, já não é nudge; vira uma medida mais intervencionista. A CESPE adora trocar a ideia de “influenciar” por “restringir”, então vale ficar bem atento a isso.