As opções a seguir apresentam postulados da teoria da associação diferencial, desenvolvida pelo criminólogo estadunidense Edwin Sutherland, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)Em suas interações sociais, indivíduos aprendem valores, comportamentos e habilidades que explicam por que algumas pessoas cometem determinados tipos de crimes.
Certa, porque descreve a ideia central da associação diferencial: o crime é aprendido nas interações sociais, com valores, técnicas e habilidades transmitidos pelo convívio.
- B)A teoria explica por que pessoas de classes sociais mais altas têm maior probabilidade de cometer crimes do colarinho branco que delitos patrimoniais violentos.
Errada, porque mistura a associação diferencial com a explicação do crime de colarinho branco, que é apenas um exemplo muito associado ao autor, mas não um postulado formulado dessa forma na alternativa.
- C)Medições antropométricas divergentes do padrão podem auxiliar na identificação da propensão delitiva em alguém.
Errada, porque medições antropométricas e traços físicos remetem à criminologia positivista e a teorias biológicas, não à associação diferencial de Sutherland.
- D)O comportamento criminoso é aprendido principalmente em grupos de pessoas com intimidade entre si; assim, meios de comunicação de massa têm menor influência nesse sentido.
Certa, porque o aprendizado criminoso ocorre principalmente em grupos íntimos e não pela mídia de massa, que tem papel muito menor nesse processo.
- E)A pessoa torna-se criminosa em virtude da preponderância de fatores propícios à violação da lei em seu meio social.
Certa, porque traduz a noção de que o indivíduo se torna criminoso pela predominância de definições favoráveis à violação da lei em seu meio social.
Gabarito: C
A teoria da associação diferencial, de Edwin Sutherland, diz que o crime não nasce de um “gene do mal”, mas é aprendido no convívio social. Em outras palavras, a pessoa absorve valores, técnicas e justificativas para delinquir nas relações mais próximas, especialmente em grupos com contato frequente e íntimo. Por isso, a influência do grupo pesa mais do que uma explicação baseada em traços físicos ou em uma suposta natureza criminosa. O ponto central da teoria é que o comportamento criminoso se aprende como qualquer outro comportamento: pela interação com outras pessoas. Sutherland também destacou que o aprendizado envolve tanto técnicas para cometer o delito quanto motivos, racionalizações e definições favoráveis ou desfavoráveis à infração. Se o ambiente social favorece mais as justificativas pró-crime do que as contrárias, aumenta a chance de a conduta criminosa aparecer. É exatamente aí que a letra C escorrega bonito: ela fala em medições antropométricas e propensão delitiva, o que lembra as teorias positivistas clássicas, ligadas ao lombrosianismo e à busca de sinais físicos do criminoso nato. Isso não tem relação com Sutherland, que rejeita explicações biológicas e foca no aprendizado social. Em provas, lembre desta lógica: associação diferencial = crime aprendido no grupo; antropometria = erro de escola antiga, bem mais ligada à criminologia positivista. A banca costuma misturar autores para ver se você identifica quem defende aprendizado social e quem trabalha com características físicas ou fatores individuais.