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Criminologia · FGV · 2021

Questão comentada de Criminologia

“Essa violência [do sistema penal] e esse desprezo por outros seres humanos seriam teorizados desde os anos 1970 por aqueles que pretendiam acabar expressamente com o que denominavam domínio dos especialistas especialmente brandos com os delinquentes. Para eles era necessário abandonar as grandes teorizações e voltar ao básico, ao que as pessoas comuns entendem por bem e mal.” (ANITUA, Gabriel Ignácio. Histórias dos Pensamentos Criminológicos. Rio de Janeiro: Editora Revan: Instituto Carioca de Criminologia, 2008. Pg. 779). Essa “criminologia da vida cotidiana” identifica-se com o pensamento de defensores e defensoras:

Gabarito: B

A chamada “criminologia da vida cotidiana” remete ao movimento que, nos anos 1970, quis sair do discurso muito abstrato e olhar para o crime e a punição com o senso comum da população, valorizando a sensação de insegurança, a presença policial e a resposta penal mais dura. É uma virada bem típica da criminologia da reação social: em vez de focar no crime como fenômeno social complexo, passa a enfatizar o medo do delito e a defesa da ordem no dia a dia. Esse pensamento ficou conhecido, sobretudo, como criminologia administrativa ou de política criminal voltada ao controle, e foi muito associado às ideias de “lei e ordem”. A lógica é simples e direta, quase de slogan: se a pessoa comum quer mais segurança, o Estado deve agir de forma mais firme, com menos tolerância ao delinquente e mais repressão. Por isso, o gabarito é a letra B. A passagem de Anitua destaca exatamente a rejeição às grandes teorizações e o apelo ao entendimento moral comum de “bem e mal”, que é a cara desse viés punitivista. Não se trata de crítica ao sistema penal nem de defesa de alternativas restaurativas ou de mínima intervenção, mas de reforço da resposta penal tradicional e mais severa. Em prova, guarde este resumo: quando a banca falar em vida cotidiana, senso comum, medo do crime, endurecimento e combate ao delinquente, pense em políticas de lei e ordem. É o velho remédio de sempre, só com linguagem mais simpática.

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