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Criminologia · FGV · 2021

Questão comentada de Criminologia

Em sua obra “História dos pensamentos criminológicos” Gabriel Anitua explica que, para determinada corrente de pensamento, “o problema do desvio (... encontra-se (...) na estrutura social. A estrutura social não permite a todos os indivíduos que seu comportamento se oriente de acordo com as metas e meios culturalmente compartilhados”. O trecho do citado autor se refere à perspectiva da teoria:

Gabarito: D

A ideia central do enunciado é bem clássica na criminologia: o desvio não nasce só da escolha individual, mas das próprias condições da estrutura social. Em certos grupos, a sociedade cobra metas culturalmente valorizadas, como sucesso e riqueza, mas não entrega a todos os mesmos meios legítimos para chegar lá. Aí surge a tensão: a pessoa quer atingir o objetivo, mas encontra barreiras reais no caminho. Essa é exatamente a base da teoria funcionalista da anomia de Robert Merton. Ele adaptou a noção de anomia para explicar como a discrepância entre metas culturais e meios institucionalmente aceitos pode gerar comportamentos desviantes, como inovação, ritualismo, retraimento e rebelião. Não é uma explicação de etiqueta social, nem de aprendizagem do crime por contato com outras pessoas. É a estrutura social pressionando o indivíduo. Por isso o gabarito é a letra D. O trecho citado diz, em outras palavras, que a estrutura social impede que todos orientem seu comportamento pelos mesmos meios e metas compartilhados, que é exatamente o coração da teoria de Merton. Em prova, se aparecer a combinação entre metas sociais, meios legítimos e desigualdade de acesso, acenda a luz de anomia de Merton. Resumo prático: Durkheim fala da anomia como enfraquecimento de normas; Merton usa a anomia para mostrar a tensão entre fins e meios na estrutura social. Essa diferença costuma render questão de banca, então vale guardar como se fosse atalho mental.

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