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Criminologia · CESPE/CEBRASPE · 2025

Questão comentada de Criminologia

Em sua crítica ao modelo carcerário das sociedades capitalistas contemporâneas, Alessandro Baratta analisou os efeitos do encarceramento, tendo distinguido duas dimensões centrais: a perda de contato com os valores sociais do mundo externo (desculturação) e a prisionalização (aculturação carcerária). Consoante essa análise,

Gabarito: E

Alessandro Baratta, na criminologia crítica, desmonta a ideia de que a prisão ressocializa de forma automática. Para ele, o cárcere não é uma escola de cidadania: ele produz efeitos contrários, como a desculturação, isto é, o afastamento dos valores e papéis sociais do mundo externo, e a prisionalização, que é a adaptação do preso à cultura interna da prisão. Na prática, isso significa que a pessoa presa tende a aprender a lógica do ambiente carcerário, com suas regras informais, hierarquias e estratégias de sobrevivência. Em vez de reaproximação com a vida em liberdade, ocorre muitas vezes um aprofundamento da exclusão e da identidade ligada ao sistema prisional. A prisão, portanto, funciona como mecanismo de controle social e de reprodução da marginalização. É exatamente essa a lógica cobrada na letra E: o encarceramento afasta o indivíduo dos valores sociais convencionais e reforça sua adaptação à cultura carcerária. Isso está alinhado com a crítica de Baratta ao modelo penitenciário das sociedades capitalistas, que tende a selecionar, segregar e excluir, mais do que recuperar. Então, se a questão falar em ressocialização espontânea, efeito educativo natural ou autonomia moral produzida pela prisão, desconfie. Baratta vai na direção oposta: a prisão, em regra, aprofunda a ruptura social em vez de corrigi-la.

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