“A violência sexual apesar de ser um crime de fácil imputação é ao mesmo tempo o mais difícil de provar. Apesar da dificuldade de se provar, na maioria das vezes, o estupro deixa provas físicas e moleculares tornando assim possível a realização do exame pericial para se comprovar a conjunção carnal. Em perícias relacionadas a crimes sexuais, nas quais esperma pode ser utilizado como prova, não se pode desprezar o possível envolvimento de três tipos de indivíduos: os oligozoospérmicos, os azoospérmicos e os vasectomizados” (PAULINO, R. D.; CONCEIÇÃO, T.; DECANINE, D. Análise de laudos periciais correspondentes a vítimas de estupro em Mato Grosso do Sul. Revista Brasileira de Criminalística, v. 6, n. 2, p. 38-42, 2017). Qual método é confirmatório para a presença de sêmen em amostra com ausência de espermatozoides?
- A)Luz Ultravioleta.
A luz ultravioleta pode ajudar na localização de vestígios biológicos, mas não confirma especificamente sêmen.
- B)PSA.
Correta, porque o PSA é um marcador do plasma seminal e permite confirmar a presença de sêmen mesmo sem espermatozoides.
- C)Teste a fresco em microscopia de luz.
Errada, pois o exame a fresco em microscopia de luz depende da visualização de espermatozoides, que podem estar ausentes.
- D)Coloração Christmas Tree.
Errada, porque a coloração Christmas Tree é técnica de visualização morfológica e não teste confirmatório específico de sêmen.
- E)Coloração May Grunwald — Giemsa.
Errada, já que a coloração May-Grunwald-Giemsa auxilia na observação celular, mas não confirma a presença de sêmen isoladamente.
Gabarito: B
Em crimes sexuais, a perícia procura sinais de sêmen mesmo quando não há espermatozoides na amostra. Isso acontece, por exemplo, em casos de vasectomia, azoospermia ou oligozoospermia, então o perito não pode depender só da microscopia para fechar a questão. Nessa hora entram os testes laboratoriais voltados aos componentes do plasma seminal, especialmente a PSA (antígeno prostático específico), que é um marcador usado para indicar a presença de sêmen. A lógica é simples: se não apareceu espermatozoide no exame direto, ainda pode haver sêmen na amostra. O PSA é detectável no fluido seminal e, por isso, ajuda a confirmar o vestígio biológico mesmo quando a parte celular está ausente. Em provas de concurso, isso costuma cair como a diferença entre teste presumitivo e teste confirmatório: a luz UV e algumas colorações ajudam a localizar ou sugerir, mas não fecham o diagnóstico sozinhas. Então, o gabarito B está correto porque o PSA é utilizado como método confirmatório para presença de sêmen em amostras sem espermatozoides. Já os métodos microscópicos e colorações, embora úteis, servem mais como apoio à triagem e identificação morfológica, não como confirmação específica do sêmen em ausência de células espermáticas. É o clássico caso em que o vestígio “esconde a pista”, mas a perícia sabe onde procurar.