Em um local de furto mediante arrombamento, observouse que os autores do delito, em busca de dinheiro e objetos de valor, reviraram todos os cômodos do imóvel e remexeram gavetas e armários, além de terem manuseado inúmeros documentos e papéis diversos. Por circunstâncias não determinadas, foram encontrados somente fragmentos papilares mínimos sobre as superfícies dos armários e gavetas, todavia sem possibilidade qualitativa de revelação e seleção. Nessa situação hipotética, os papéis manuseados pelos autores do crime
- A)não se prestam ao levantamento e à revelação de fragmentos papiloscópicos, por serem material poroso que absorve os elementos químicos expelidos pela pele humana.
Errada, porque o fato de o papel ser poroso não impede a revelação papiloscópica; ao contrário, ele exige reagentes específicos para esse tipo de suporte.
- B)se prestam ao levantamento e à revelação de fragmentos papiloscópicos mediante a utilização de reveladores líquidos ou gasosos, como nitrato de prata e iodo.
Certa, porque papéis e outros materiais porosos podem ser tratados com reveladores próprios, como iodo e nitrato de prata, que permitem a visualização dos fragmentos papilares.
- C)se prestam ao levantamento e à revelação de fragmentos papiloscópicos mediante a utilização de reveladores sólidos e gasosos, como pó e cianoacrilato.
Errada, porque pós e cianoacrilato são técnicas mais associadas a superfícies não porosas ou de baixa porosidade, e não ao papel.
- D)se prestam ao levantamento e à revelação de fragmentos papiloscópicos mediante a utilização de pós especiais com detergente e violeta de genciana, como agentes reveladores.
Errada, porque detergente e violeta de genciana não são os reveladores clássicos indicados para papéis manuseados em local de crime.
- E)não se prestam ao levantamento e à revelação de fragmentos papiloscópicos, porque o papel não permite uma exata classificação ou determinação da região papilar.
Errada, porque o papel permite, sim, o levantamento e a revelação de impressões digitais; o problema não é a classificação do suporte, mas a técnica adequada de revelação.
Gabarito: B
Em papiloscopia, o tipo de superfície muda tudo. Em materiais porosos, como papel, a substância deixada pela digital penetra um pouco no suporte, então os métodos mais usados não são os pós comuns, e sim reagentes que interagem com os componentes do suor e da secreção papilar. É por isso que o papel manuseado pode, sim, ser examinado para revelar fragmentos papiloscópicos. Em geral, usam-se reveladores próprios para superfícies porosas, como iodo, nitrato de prata e ninidrina, que valorizam o rastro invisível deixado pelos dedos. A alternativa B acerta ao indicar reveladores líquidos ou gasosos, como nitrato de prata e iodo. A lógica da questão é essa: papel não é obstáculo para a perícia, ele apenas exige técnica adequada. Não basta sair jogando pó como se fosse mesa de vidro. Em termos doutrinários, a classificação mais cobrada é simples: superfícies lisas e não porosas costumam receber pós e cianoacrilato; superfícies porosas pedem reagentes químicos apropriados. Isso é o básico que o Cespe gosta de cobrar com cara de armadilha.