Acerca de toxicologia forense, assinale a opção correta.
- A)O escopo da toxicologia forense limita-se à detecção e à identificação de xenobióticos que possam estar envolvidos em circunstâncias resultantes de inquérito.
Errada, porque a toxicologia forense não se limita apenas à detecção de xenobióticos, abrangendo também interpretação pericial de intoxicações, dosagens e relação causal com o evento.
- B)Em análises toxicológicas post mortem, o analista deve seguir um plano padronizado de análise dos espécimes coletados ao longo da necropsia.
Certa, porque nas análises toxicológicas post mortem a coleta e a análise dos espécimes devem seguir um plano padronizado, alinhado à necropsia e aos objetivos periciais.
- C)Atestar a morte de um indivíduo é atribuição exclusiva do médico legista, que considera, para isso, laudos do patologista e do toxicologista.
Errada, porque a constatação do óbito não é atribuição exclusiva do médico legista nem depende necessariamente de laudos de patologista e toxicologista para esse ato.
- D)Opioides e opiáceos são drogas semissintéticas, como o ecstasy e a heroína, que ocasionam problemas no sistema nervoso central, tendo efeitos estimulantes.
Errada, porque opiáceos e opioides não são, em regra, drogas semissintéticas com efeito estimulante; a descrição mistura classes e efeitos farmacológicos diferentes.
- E)A detecção e a confirmação de agentes tóxicos lícitos ou ilícitos em urina são realizadas por meio de imunoensaios.
Errada, porque imunoensaios são técnicas de triagem, enquanto a confirmação de agentes tóxicos em urina normalmente exige método confirmatório mais específico, como cromatografia acoplada à espectrometria de massas.
Gabarito: B
A toxicologia forense estuda a presença, a natureza e os efeitos de substâncias tóxicas em contextos com interesse jurídico, como mortes suspeitas, intoxicações, crimes, acidentes e até doping. Ou seja, não é só “achar veneno”: ela ajuda a interpretar o que foi encontrado, em qual amostra, em que quantidade e se aquilo pode ter relação com o desfecho do caso. No exame post mortem, a coleta não é feita de qualquer jeito. O analista segue um plano de análise compatível com a necropsia e com os espécimes disponíveis, porque cada material tem sua utilidade: sangue, urina, conteúdo gástrico, bile, humor vítreo, fígado, rim e outros podem responder de forma diferente conforme a substância e o tempo decorrido. Isso evita conclusões apressadas e melhora a confiabilidade do laudo. É por isso que o item B está correto: em toxicologia post mortem, a rotina analítica deve ser organizada e padronizada, justamente para orientar a investigação toxicológica com base nos achados da necropsia. A lógica é simples: amostra errada, momento errado ou método errado podem transformar a perícia numa loteria, e concurso adora testar essa diferença. As demais alternativas exageram ou confundem conceitos. Toxicologia forense não se limita a xenobióticos; a morte não é atestada exclusivamente pelo médico legista com base em laudos de outros profissionais; e a detecção em urina não é feita apenas por imunoensaios, porque eles costumam ser testes de triagem, exigindo confirmação por métodos mais específicos quando necessário.