← Questões de Criminalistica

Criminalistica · CESPE/CEBRASPE · 2022

Questão comentada de Criminalistica

Vinte e cinco de janeiro de 2019. Uma das barragens da mina do Córrego do Feijão da mineradora Vale rompe-se em Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte, MG. Esse fato pode vir a configurar a pior tragédia humana provocada por rompimento de barragem de minério das últimas três décadas. Em situações como essa, muitas vezes as equipes de resgate às vítimas encontram corpos em situações de difícil reconhecimento. Em meio ao sofrimento das famílias causado pela incerteza do paradeiro de seus entes queridos, a busca por respostas torna-se urgente. A identificação genética na análise forense e perícia criminal. Internet: laborgene.com.br (com adaptações). Uma das importantes utilizações da genética forense é na identificação de pessoas vitimadas por catástrofes, em especial quando não foi possível identificar as vítimas por outras metodologias forenses. Com relação à identificação de pessoas vítimas de catástrofes, assinale a opção correta.

Gabarito: D

Em desastres com grande número de vítimas, a identificação genética costuma ser a última linha de defesa quando a face, impressões digitais ou outros métodos já não ajudam. Nesses cenários, o perito trabalha com amostras muito variadas, como ossos, dentes, fragmentos de tecidos e até vestígios mais resistentes, porque o corpo pode estar carbonizado, submerso ou em avançado estado de decomposição. A genética forense não depende, em regra, de um corpo “inteiro” nem de tecido mole bem conservado. O importante é conseguir extrair material genético útil e comparar com perfis de referência, seja de familiares, seja de objetos pessoais do desaparecido. Em identificação de vítimas de catástrofes, essa comparação precisa ser feita com muito rigor para evitar troca de amostras e contaminação cruzada, que seriam um desastre dentro do desastre. Por isso, o item D está correto: a área de extração de DNA de vestígios coletados na cena deve ser separada da área usada para processar amostras de referência. Essa separação física e operacional faz parte da rotina laboratorial de prevenção de contaminação, algo essencial em DNA forense. A lógica é simples: material questionado e material de referência não podem “se misturar” no caminho, nem por acidente de bancada. Um detalhe importante: em identificação de vítimas, a comparação genética nem sempre exige amostra do próprio indivíduo. Muitas vezes o perfil é obtido por confronto com parentes próximos, por exemplo, em análises de DNA autossômico, mitocondrial ou do cromossomo Y, conforme o caso. Ou seja, genética forense é ferramenta de precisão, não de adivinhação.

Continue treinando

Questões relacionadas