Vinte e cinco de janeiro de 2019. Uma das barragens da mina do Córrego do Feijão da mineradora Vale rompe-se em Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte, MG. Esse fato pode vir a configurar a pior tragédia humana provocada por rompimento de barragem de minério das últimas três décadas. Em situações como essa, muitas vezes as equipes de resgate às vítimas encontram corpos em situações de difícil reconhecimento. Em meio ao sofrimento das famílias causado pela incerteza do paradeiro de seus entes queridos, a busca por respostas torna-se urgente. A identificação genética na análise forense e perícia criminal. Internet: laborgene.com.br (com adaptações). Uma das importantes utilizações da genética forense é na identificação de pessoas vitimadas por catástrofes, em especial quando não foi possível identificar as vítimas por outras metodologias forenses. Com relação à identificação de pessoas vítimas de catástrofes, assinale a opção correta.
- A)A coleta de material biológico para a análise de DNA depende do estado do corpo, porque, para a extração de DNA, é necessária a coleta de tecidos moles que geralmente estão ausentes em um corpo em avançado estado de degradação.
Errada, porque a extração de DNA não depende apenas de tecidos moles, já que ossos, dentes e outros vestígios também podem fornecer material genético útil mesmo em corpos degradados.
- B)A análise de DNA mitocondrial é especialmente útil para identificação individual quando se encontram corpos de membros de uma mesma família juntos no mesmo local.
Errada, porque o DNA mitocondrial é mais útil quando há pouca quantidade de DNA nuclear ou forte degradação, mas não é especialmente indicado para identificar individualmente pessoas da mesma família, pois ele pode ser compartilhado por maternos aparentados.
- C)Se a análise de uma amostra revelar a ocorrência de mais que dois alelos para diversos dos marcadores genéticos analisados, isso sinaliza que a amostra está muito degradada.
Errada, porque a presença de mais de dois alelos em vários marcadores indica mistura de perfis de DNA, contaminação ou amostra mista, e não simplesmente degradação.
- D)Para evitar contaminação, a área para extração de DNA de amostras colhidas em situações como a de Brumadinho deve ser separada da área de extração de DNA de amostras de referência.
Certa, porque a segregação entre área de vestígios e área de referências é medida básica de biossegurança e controle de contaminação na extração de DNA forense.
- E)A identificação de um indivíduo pela genética forense demanda a existência de uma amostra de referência desse mesmo indivíduo (escova de dentes, aparelho de barbear etc.) para fins de comparação.
Errada, porque a identificação genética não exige, necessariamente, uma amostra de referência do próprio indivíduo, podendo ser feita por comparação com parentes ou outras fontes de referência.
Gabarito: D
Em desastres com grande número de vítimas, a identificação genética costuma ser a última linha de defesa quando a face, impressões digitais ou outros métodos já não ajudam. Nesses cenários, o perito trabalha com amostras muito variadas, como ossos, dentes, fragmentos de tecidos e até vestígios mais resistentes, porque o corpo pode estar carbonizado, submerso ou em avançado estado de decomposição. A genética forense não depende, em regra, de um corpo “inteiro” nem de tecido mole bem conservado. O importante é conseguir extrair material genético útil e comparar com perfis de referência, seja de familiares, seja de objetos pessoais do desaparecido. Em identificação de vítimas de catástrofes, essa comparação precisa ser feita com muito rigor para evitar troca de amostras e contaminação cruzada, que seriam um desastre dentro do desastre. Por isso, o item D está correto: a área de extração de DNA de vestígios coletados na cena deve ser separada da área usada para processar amostras de referência. Essa separação física e operacional faz parte da rotina laboratorial de prevenção de contaminação, algo essencial em DNA forense. A lógica é simples: material questionado e material de referência não podem “se misturar” no caminho, nem por acidente de bancada. Um detalhe importante: em identificação de vítimas, a comparação genética nem sempre exige amostra do próprio indivíduo. Muitas vezes o perfil é obtido por confronto com parentes próximos, por exemplo, em análises de DNA autossômico, mitocondrial ou do cromossomo Y, conforme o caso. Ou seja, genética forense é ferramenta de precisão, não de adivinhação.