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Ciência Política · FGV · 2023

Questão comentada de Ciência Política

João, estudante de direito, tinha muitas dúvidas em relação à conhecida classificação das formas de governo oferecida por Aristóteles. Após ampla digressão teórica, o Professor explicou corretamente a João que o referido pensador

Gabarito: A

Aristóteles fazia uma classificação famosa das formas de governo a partir de dois critérios: quantas pessoas governam e, principalmente, para quem se governa. O ponto decisivo era ético e político ao mesmo tempo: se o governo busca o bem comum, ele é considerado correto; se atende ao interesse particular dos governantes, ele se desvia e vira uma forma corrompida. Por isso, ele separava as formas em normais (ou puras) e anormais (ou degeneradas). As formas corretas eram monarquia, aristocracia e politeia, conforme governa um, poucos ou muitos em benefício da coletividade. As formas desviadas eram tirania, oligarquia e democracia, esta última entendida por Aristóteles não como regime ideal moderno, mas como governo da maioria em favor de si mesma. É exatamente essa lógica que a alternativa A capta: a distinção entre formas normais e anormais decorre de um critério ético, ligado ao interesse geral. Em linguagem simples: não basta saber quem manda, importa saber para quê manda. Se o governo vira ferramenta de grupo, ele saiu do trilho aristotélico. Então, o Professor acertou ao explicar que Aristóteles não estava só contando cabeças no poder, mas julgando a finalidade do poder. Em prova, sempre desconfie quando a banca tenta trocar esse critério moral do bem comum por classificações modernas ou por termos que não pertencem ao vocabulário aristotélico.

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