João, estudante de direito, tinha muitas dúvidas em relação à conhecida classificação das formas de governo oferecida por Aristóteles. Após ampla digressão teórica, o Professor explicou corretamente a João que o referido pensador
- A)distinguia as formas de governo normais das anormais, o que decorria de um critério ético, baseado no atendimento ao interesse geral.
Correta, porque Aristóteles distingue formas puras e corruptas com base no interesse geral ou particular dos governantes.
- B)situava as formas de governo nos referenciais de democracia, teocracia e clerocracia, conforme o seu fundamento fosse o povo, a nobreza ou o clero.
Errada, porque teocracia e clerocracia não são categorias da classificação aristotélica clássica.
- C)lastreava as formas de governo direcionadas ao bem comum em referenciais de base axiológica, explicitados nos valores de honra, moderação e virtude.
Errada, porque honra, moderação e virtude são valores associados à vida política, mas não formam a classificação aristotélica das formas de governo.
- D)concebia o governo de maneira monolítica, lastreado na vontade popular, o que caracterizava a democracia, sendo plúrimo o seu modo de exercício.
Errada, porque Aristóteles não concebe um governo monolítico fundado na vontade popular como democracia.
- E)concebia duas formas de governo, que expressavam a concepção de república própria dos antigos, sendo dividida em república aristocrática e república democrática.
Errada, porque a divisão apresentada não corresponde à tipologia aristotélica, que é outra e mais conhecida pela oposição entre formas puras e corruptas.
Gabarito: A
Aristóteles fazia uma classificação famosa das formas de governo a partir de dois critérios: quantas pessoas governam e, principalmente, para quem se governa. O ponto decisivo era ético e político ao mesmo tempo: se o governo busca o bem comum, ele é considerado correto; se atende ao interesse particular dos governantes, ele se desvia e vira uma forma corrompida. Por isso, ele separava as formas em normais (ou puras) e anormais (ou degeneradas). As formas corretas eram monarquia, aristocracia e politeia, conforme governa um, poucos ou muitos em benefício da coletividade. As formas desviadas eram tirania, oligarquia e democracia, esta última entendida por Aristóteles não como regime ideal moderno, mas como governo da maioria em favor de si mesma. É exatamente essa lógica que a alternativa A capta: a distinção entre formas normais e anormais decorre de um critério ético, ligado ao interesse geral. Em linguagem simples: não basta saber quem manda, importa saber para quê manda. Se o governo vira ferramenta de grupo, ele saiu do trilho aristotélico. Então, o Professor acertou ao explicar que Aristóteles não estava só contando cabeças no poder, mas julgando a finalidade do poder. Em prova, sempre desconfie quando a banca tenta trocar esse critério moral do bem comum por classificações modernas ou por termos que não pertencem ao vocabulário aristotélico.