Em uma gincana jurídica, as equipes Alfa e Beta deveriam apresentar os possíveis fundamentos identificados por Marx Weber para fundamentar o poder. De acordo com a equipe Alfa, o poder nada mais seria que uma relação assimétrica entre ao menos dois atores, mas que não tem correlação com o poder tradicional, próprio do patriarcalismo, ajustando-se, por outro lado, à dominação carismática, em que atributos pessoais fazem as pessoas depositar sua confiança em um indivíduo e se sujeitar à sua dominação, que é instável. A equipe Beta, por sua vez, ao ressaltar que o poder expressa uma relação de dominação, concluía que ele pode decorrer de práticas sedimentadas em determinado ambiente sociopolítico, em relação às quais prevalece o sentimento de que são obrigatórias, daí decorrendo uma dominação estável. Os jurados, ao divulgarem o resultado da gincana, afirmaram que
- A)ambas as equipes estão corretas, logo, a disputa terminou empatada.
Errada, porque não foram ambas as equipes que acertaram: a Alpha excluiu indevidamente a dominação tradicional, que é um dos tipos centrais em Weber.
- B)a equipe Alfa está errada ao afastar o poder tradicional como fundamento da dominação.
Certa, pois Weber inclui a dominação tradicional como forma legítima de poder, ligada ao costume, ao patriarcalismo e à estabilidade social.
- C)a equipe Beta está errada ao fundamentar o poder nos costumes sedimentados em determinado ambiente, afirmando ainda que essa dominação é estável.
Errada, porque a Beta não errou ao falar em costumes sedimentados e estabilidade; isso descreve justamente a dominação tradicional.
- D)a equipe Beta está errada ao ver no poder uma relação de dominação, que não se ajusta à “democracia dos antigos”, no sentido referido por Benjamin Constant e prestigiado por Weber.
Errada, porque Weber não nega a dominação como relação de poder, e a referência à "democracia dos antigos" não invalida a análise feita na alternativa.
- E)a equipe Alfa está errada ao ver no poder uma relação necessariamente assimétrica, desconsiderando o espaço deixado pelo consenso, e ainda considerar o carisma um fator de legitimação da dominação.
Errada, porque Weber não vê o poder como necessariamente assimétrico no sentido da alternativa, e o carisma é sim um fator de legitimação da dominação.
Gabarito: B
Max Weber explica a legitimidade do poder por meio de três tipos clássicos de dominação: tradicional, carismática e legal-racional. A tradicional nasce do costume, da rotina social e da crença de que sempre foi assim, como no patriarcalismo e em estruturas antigas de obediência. A carismática, por sua vez, depende dos atributos pessoais do líder, que inspira devoção e obediência, mas costuma ser mais instável. A legal-racional se apoia em regras impessoais e na burocracia. Na questão, a equipe Beta acertou ao relacionar a dominação a práticas sedimentadas no ambiente sociopolítico, com sentimento de obrigatoriedade e estabilidade - isso descreve bem a dominação tradicional. Já a equipe Alfa errou ao afastar o poder tradicional como fundamento: em Weber, ele é justamente um dos pilares da dominação legítima, ao lado do carisma e da legalidade.