Ao elaborar o projeto para uma política social de contornos assistenciais, direcionada às camadas mais carentes da população, Ana, servidora de carreira de determinado Ministério, estruturou uma abordagem dotada de interdisciplinaridade. Com isso, buscou delinear uma política social que dialogasse com a necessidade de ser suprido o mínimo existencial e ainda combatesse o efeito perverso do capacitismo em relação a adultos e jovens. À luz das construções teóricas a respeito dessa temática, é correto afirmar que o projeto elaborado por Ana
- A)não se mostra pertinente com a realidade social, pois a importância atribuída ao corpo e as suas deturpações são temáticas estranhas às políticas sociais, que não podem ser estruturadas de modo a gerar uma discriminação reversa.
Errada, porque políticas sociais podem sim enfrentar discriminação e não se limitam a evitar uma suposta "discriminação reversa".
- B)mostra-se pertinente com a realidade social, pois o sentimento de plenitude da personalidade individual, conquanto seja positivo para a autoafirmação social, pode gerar consequências negativas para a coesão social.
Errada, pois a ideia de plenitude da personalidade não é o fundamento que resolve a questão e não justifica a conclusão proposta.
- C)não se mostra pertinente com a realidade social, pois padrões humanos de perfeição frequentam o imaginário coletivo, não sendo adequado que o aparato estatal seja direcionado à superação de hábitos e costumes sociais.
Errada, porque o Estado pode e deve intervir para superar padrões sociais discriminatórios, inclusive por meio de políticas públicas.
- D)não se mostra pertinente com a realidade social, pois políticas públicas interdisciplinares geram corruptelas na formação da agenda, o que diminui o nível de eficiência da atuação estatal.
Errada, já que a interdisciplinaridade é característica positiva de políticas sociais complexas e não gera, por si, invalidade da agenda estatal.
- E)mostra-se pertinente com a realidade social ao propor que iniciativas de cunho assistencial sejam utilizadas para combater a discriminação, podendo contribuir para a inclusão social.
Certa, porque políticas assistenciais podem ser usadas para enfrentar discriminação e promover inclusão social de grupos vulneráveis.
Gabarito: E
A questão mistura política social, assistência e combate à discriminação. Em políticas públicas, especialmente nas voltadas às camadas mais vulneráveis, o Estado não atua só para distribuir renda ou serviços: ele também pode reduzir barreiras sociais que impedem o acesso igualitário à cidadania. Isso inclui enfrentar práticas discriminatórias que atingem grupos historicamente excluídos, como jovens e adultos marcados por estigmas ligados ao corpo, à capacidade e à aparência. Quando a banca fala em "capacitismo", ela está apontando para uma forma de discriminação contra pessoas com deficiência ou com corpo considerado fora do padrão social de "normalidade". A resposta estatal pode vir por políticas assistenciais, educacionais, de saúde e de inclusão, porque o objetivo não é apenas suprir o mínimo existencial, mas também garantir participação social e dignidade. Aqui entra a ideia de que políticas sociais podem e devem ter desenho interdisciplinar. O gabarito está correto porque o projeto de Ana faz exatamente isso: usa uma iniciativa de cunho assistencial para combater discriminação e favorecer inclusão social. Isso é compatível com a Constituição de 1988, especialmente com a dignidade da pessoa humana e com os objetivos de construir uma sociedade livre, justa e solidária e reduzir desigualdades. Também dialoga com a lógica da assistência social como política pública de proteção social, voltada a quem dela necessitar. Em resumo: não é só dar ajuda material, é também remover barreiras sociais que excluem. A política social moderna não distribui apenas recursos; ela tenta abrir a porta para que mais gente consiga entrar.