Sobre a intepretação de hemograma e leucograma, assinale a alternativa CORRETA.
- A)Bastonetes de Auer são inclusões citoplasmáticas características de células mieloides durante processos infecciosos bacterianos agudos.
Errada: bastonetes de Auer são típicos de células mieloides imaturas, especialmente em leucemias agudas, e não de infecção bacteriana aguda.
- B)Os corpúsculos de Howell-Jolly são restos de RNA que conferem a chamada policromasia nas células eritroides, caracterizando os reticulócitos.
Errada: corpúsculos de Howell-Jolly são restos de DNA em hemácias e não restos de RNA; policromasia se relaciona aos reticulócitos, mas a definição da alternativa está trocada.
- C)Granulações tóxicas são grânulos primários ou azurófilos de neutrófilos imaturos que persistem em neutrófilos maduros, refletindo justamente uma perturbação na maturidade neutrofílica quando estes são demandados em maior proporção, como em infecções bacterianas agudas.
Certa: granulações tóxicas são alterações morfológicas de neutrófilos associadas a infecção bacteriana aguda e intensa demanda medular, indicando resposta inflamatória importante.
- D)A vacuolização celular de leucócitos é um achado comum e sem relevância clínica, e sua reportação em laudo é dispensável, pois geralmente leva a erros de interpretação pelo clínico.
Errada: vacuolização de leucócitos pode ter relevância clínica, por exemplo em infecção ou alteração celular, e não deve ser tratada como achado dispensável.
- E)A policromasia é um achado raro em recém-nascidos e geralmente representa uma doença hematológica grave nesses pacientes.
Errada: policromasia em recém-nascidos pode ser fisiológica, pois eles têm maior atividade eritropoiética, não sendo, em regra, sinal de doença hematológica grave.
Gabarito: C
Na leitura do hemograma e do leucograma, o segredo é não olhar apenas o número de células, mas também o aspecto delas no esfregaço. Algumas alterações morfológicas funcionam como pequenos alarmes: indicam inflamação, infecção, estresse medular ou até doenças hematológicas mais graves. Parece detalhe, mas no laboratório esse detalhe muda tudo. No caso dos neutrófilos, as granulações tóxicas chamam atenção porque representam uma alteração de maturação e de produção da linhagem granulocítica, geralmente vista em quadros de infecção bacteriana aguda, inflamação intensa ou grande demanda medular. Elas refletem a liberação de neutrófilos menos “caprichados” do ponto de vista morfológico, algo bem compatível com resposta inflamatória importante. Por isso a alternativa C está correta: ela descreve adequadamente que as granulações tóxicas correspondem a granulações primárias/azurófilas mais evidentes em neutrófilos, especialmente quando há aumento da demanda por essas células. É um achado que merece atenção e ajuda a interpretar o leucograma junto com a clínica, não sozinho, como se fosse um enfeite do esfregaço. As demais alternativas misturam conceitos clássicos. Bastonetes de Auer não são de infecção bacteriana, e sim achado ligado a blastos mieloides, sobretudo em leucemias agudas. Howell-Jolly são restos de DNA, não de RNA, e policromasia se relaciona com reticulócitos. Já vacuolização leucocitária e policromasia em recém-nascidos podem ter significado clínico, então não dá para tratá-las como bobagem de laudo.