Com base nos achados em eritrogramas das principais anemias, é CORRETO afirmar:
- A)Nas anemias hemolíticas, não é comum a observação de aumento dos níveis de desidrogenase lática (LDH).
Errada, porque nas anemias hemolíticas é comum haver aumento de LDH, além de outros marcadores de hemólise, como bilirrubina indireta e reticulócitos.
- B)As anemias carenciais, como a ferropriva e megaloblástica, apresentam-se como microcíticas e hipocrômicas em razão da deficiência nutricional de substâncias precursoras e formadoras da Hemoglobina.
Errada, porque a anemia ferropriva é microcítica e hipocrômica, mas a megaloblástica costuma ser macrocítica, não microcítica.
- C)A anemia falciforme apresenta-se como uma anemia microcítica e hipocrômica sem anisocitose e poiquilocitose relevante.
Errada, porque a anemia falciforme não é, em regra, microcítica e hipocrômica, e costuma apresentar anisocitose e poiquilocitose importantes.
- D)As eritroenzimopatias correspondem a distúrbios enzimáticos que podem alterar o metabolismo energético das células eritroides, mas não são capazes de levar a um quadro anêmico.
Errada, porque eritroenzimopatias podem, sim, causar anemia, especialmente por hemólise, como ocorre na deficiência de G6PD e na piruvato quinase.
- E)A falta ou diminuição de eritropoietina em doentes renais crônicos pode levar a um quadro de anemia normocítica e normocrômico, pois causa uma redução da eritropoiese.
Certa, porque a redução de eritropoietina na doença renal crônica diminui a eritropoiese e leva tipicamente a anemia normocítica e normocrômica.
Gabarito: E
Quando você analisa um eritrograma, a primeira pista costuma vir do tamanho da hemácia e do teor de hemoglobina: se ela está menor, maior, mais clara ou mais uniforme. Isso ajuda a separar as principais anemias em padrões clássicos, como microcítica e hipocrômica, normocítica e normocrômica, ou macrocítica. Parece detalhe de laboratório, mas é quase um mapa do tesouro para chegar na causa da anemia. Nas anemias ferropriva e megaloblástica, há carência de matéria-prima para a eritropoiese, porém o padrão não é o mesmo. A ferropriva costuma ser microcítica e hipocrômica, porque falta ferro para formar hemoglobina. Já a megaloblástica, por deficiência de vitamina B12 ou folato, tende a ser macrocítica, com hemácias grandes e imaturas. Então misturar as duas como se ambas fossem microcíticas é uma pegadinha clássica. A alternativa correta é a letra E porque, na doença renal crônica, a produção de eritropoietina cai. Sem esse hormônio, a medula óssea reduz a produção de hemácias, gerando uma anemia em geral normocítica e normocrômica, especialmente no início. Como o problema é de estímulo à eritropoiese, e não de falta de ferro ou de hemoglobina em si, o eritrograma costuma mostrar células de tamanho e cor preservados, mas em menor número. Esse raciocínio é totalmente compatível com a abordagem doutrinária da hematologia clínica: anemias por diminuição de produção, como a da insuficiência renal, tendem a ser normocíticas/normocrômicas; já anemias por defeito de síntese de hemoglobina ou DNA mudam o índice hematimétrico de forma característica. Em prova, a banca gosta de cobrar exatamente essa leitura do padrão do eritrograma.