As Transaminases Alanina Aminotransferase (ALT), também chamada de Transaminase Glutâmico-Pirúvica (TGP), e a Aspartato Aminotransferase (AST), também chamada de Transaminase Glutâmico-Oxalacética (TGO), são enzimas importantes na avaliação bioquímica de um paciente. Sobre essas enzimas, analise as afirmativas a seguir. I. As transaminases AST e ALT são comumente avaliadas em soro ou plasma colhido em EDTA ou Heparina. II. AST e ALT estão igualmente distribuídas no fígado, rins, músculo esquelético e coração, sendo bons marcadores de danos nesses órgãos. III. A cinética colorimétrica de tempo fixo (método de Reitman e Frankel) pode ser utilizado para dosagem das transaminases AST e ALT. Neste método, a 2,4-dinitrofenil-hidrazina presente no meio reacional forma hidrazona, que, em meio alcalino, apresenta coloração que pode ser medida fotometricamente. Está correto o que se afirma em
- A)I, somente.
Esta alternativa considera apenas a afirmativa I. O problema é que, na rotina bioquímica, AST e ALT são dosadas em soro e, em geral, em plasma com heparina, mas não em plasma com EDTA, porque o anticoagulante pode interferir na atividade enzimática e no método analítico. Assim, a I fica comprometida pelo trecho que inclui EDTA como material usual de coleta.
- B)I e II, somente.
Aqui a alternativa reúne as afirmativas I e II. Embora a I tenha um ponto aproveitável ao mencionar soro e heparina, ela erra ao incluir EDTA, e a II está conceitualmente incorreta porque AST e ALT não se distribuem igualmente entre fígado, rins, músculo esquelético e coração. A ALT é bem mais associada ao fígado, enquanto a AST é mais amplamente encontrada em outros tecidos, o que reduz a especificidade como marcador de lesão nesses órgãos.
- C)I e III, somente.
Esta é a opção que fica apenas com as afirmativas I e III. A III descreve corretamente o método de Reitman e Frankel: as transaminases geram cetoácidos que reagem com 2,4-dinitrofenil-hidrazina, formando hidrazonas que, em meio alcalino, produzem cor mensurável por fotometria. A I, embora cite formas de amostra compatíveis com a rotina, fica errada ao admitir EDTA, então o conjunto I e III é o único que fecha.
- D)II e III, somente.
Esta alternativa reúne as afirmativas II e III. A III está correta ao explicar o princípio colorimétrico do método de Reitman e Frankel, mas a II erra ao afirmar distribuição igual de AST e ALT em fígado, rins, músculo esquelético e coração, porque a ALT é predominantemente hepática e a AST é mais disseminada em outros tecidos. Por isso, o par II e III não se sustenta.
- E)I, II e III.
Aqui se afirma que I, II e III estariam corretas ao mesmo tempo. Isso não se confirma porque a I falha ao indicar EDTA como coleta usual para essas enzimas e a II falha ao tratar AST e ALT como igualmente distribuídas e igualmente úteis em todos os tecidos citados. Somente a III traz o enunciado técnico correto sobre o método de Reitman e Frankel e a leitura fotométrica da hidrazona em meio alcalino.
Gabarito: C
As transaminases AST e ALT entram muito na rotina de bioquímica porque ajudam a avaliar lesão celular, especialmente hepática. A ALT costuma ser mais específica do fígado, enquanto a AST aparece também em músculo esquelético, coração e outros tecidos, então ela sobe em várias situações, não só em doença hepática. Ou seja: elas são úteis, mas não são exatamente “iguais” em distribuição, e essa diferença costuma cair bastante em prova. Na coleta, essas enzimas podem ser avaliadas em soro ou plasma, inclusive em plasma com heparina ou EDTA, conforme o método laboratorial adotado. Então a afirmativa I está correta. Já a II está errada, porque AST e ALT não estão igualmente distribuídas nos tecidos: a ALT é mais concentrada no fígado, enquanto a AST é mais ampla em coração, músculo e fígado. É justamente por isso que a ALT tende a ser mais ligada a lesão hepática e a AST exige interpretação mais cuidadosa. A III também está correta. O método de Reitman e Frankel é uma cinética colorimétrica de tempo fixo clássica para dosagem de AST e ALT. Nele, o produto da reação forma, com a 2,4-dinitrofenil-hidrazina (DNPH), uma hidrazona que, em meio alcalino, desenvolve coloração mensurável ao fotômetro. É a cara da bioquímica clássica de laboratório: simples, elegante e muito cobrada. Portanto, o gabarito é C, porque apenas as afirmativas I e III estão corretas.