No Brasil, o método de rastreamento do câncer do colo do útero e de suas lesões precursoras é o exame citopatológico cérvico-vaginal. Uma mulher assintomática, sem antecedentes mórbidos, apresenta como resultado: atrofia com inflamação, sem atipias celulares. De acordo com as diretrizes brasileiras/Instituto Nacional do Câncer, configura-se um achado
- A)fisiológico: próprio das mulheres na faixa dos 26 anos.
Errada: aos 26 anos, em regra, não se espera atrofia por hipoestrogenismo como achado fisiológico do colo uterino.
- B)fisiológico: após a menopausa.
Certa: a atrofia com inflamação, sem atipias, é compatível com o padrão fisiológico da pós-menopausa.
- C)patológico: candidíase.
Errada: candidíase costuma ter sinais citológicos e microbiológicos compatíveis com infecção fúngica, o que não foi descrito.
- D)patológico: vaginose.
Errada: vaginose bacteriana exige achados característicos, como flora alterada e, frequentemente, clue cells, não apenas atrofia inflamatória.
- E)patológico: adenocarcinoma in situ uterino.
Errada: adenocarcinoma in situ teria atipias glandulares, o oposto do que o enunciado informa.
Gabarito: B
No exame citopatológico cérvico-vaginal, nem toda alteração significa doença grave. Algumas descrições do laudo apontam apenas mudanças esperadas do epitélio, especialmente em fases da vida em que o hormônio cai e a mucosa fica mais fina, como no climatério e após a menopausa. Nessa situação, o esfregaço pode vir com atrofia e inflamação, mas sem atipias celulares, o que afasta lesão pré-maligna ou câncer. Pelas diretrizes brasileiras e pelo material do INCA sobre nomenclatura e interpretação do exame citopatológico, a atrofia com inflamação, quando não há atipias, é um achado compatível com o estado hipoestrogênico da pós-menopausa. Ou seja, é um padrão esperado do organismo, não uma infecção específica nem uma neoplasia. É aqui que muita gente escorrega: vê a palavra inflamação e já pensa em candidíase, vaginose ou outra infecção. Só que o laudo não descreveu microrganismos, nem pistas citológicas típicas dessas condições, e ainda destacou a ausência de atipias. Em prova, isso pesa muito. Então, o gabarito B está correto porque a atrofia com inflamação, sem atipias celulares, é um achado fisiológico após a menopausa. O foco da diretriz é separar alterações benignas do que precisa de investigação, e aqui não há sinal citológico de malignidade.