O município de Macapá apresenta fatores sociais e ambientais que favorecem o aparecimento de doenças de transmissão hídrica tal como a infecção pelo vírus da hepatite A (VHA). Uma jovem biomédica (paciente 1) foi adequadamente vacinada contra o VHA; um outro biomédico (paciente 2) apresenta a infecção aguda pelo VHA. Marque a opção correta em relação aos perfis sorológicos associados a estes antecedentes:
- A)paciente 1: anti-VHA fração Ig M reagente; paciente 2: anti-VHA fração Ig G reagente.
Errada, porque o paciente vacinado deve ter anti-VHA IgG, e não IgM, enquanto a infecção aguda exige IgM, não IgG.
- B)paciente 1: anti- VHA fração Ig G reagente; paciente 2: anti-VHA fração Ig M reagente.
Certa, pois vacinação bem-sucedida indica anti-VHA IgG reagente e infecção aguda por VHA indica anti-VHA IgM reagente.
- C)paciente 1: anti- VHA fração Ig M reagente; paciente 2: anti-VHA fração Ig M reagente.
Errada, porque IgM em ambos os pacientes sugeriria infecção recente nos dois, o que não condiz com vacinação no paciente 1.
- D)paciente 1: anti- VHA fração Ig M reagente; paciente 2: anti-VHA fração Ig A reagente.
Errada, porque o perfil do paciente 2 na fase aguda é IgM, e IgA não é o marcador sorológico clássico cobrado para hepatite A.
- E)paciente 1: anti- VHA fração Ig A reagente; paciente 2: anti-VHA fração Ig M reagente.
Errada, porque IgA não é o marcador esperado para imunidade pós-vacinal, e o paciente 1 deveria ter IgG reagente.
Gabarito: B
A sorologia da hepatite A costuma ser cobrada de um jeito bem clássico: quando a pessoa tem infecção aguda, o marcador que aparece é o anti-VHA da classe IgM. Ele indica fase recente, doença ativa ou contato muito atual com o vírus. Já quando a pessoa foi vacinada e respondeu bem, o esperado é encontrar anti-VHA da classe IgG, que é o marcador de imunidade duradoura. Em outras palavras: IgM fala mais alto na fase aguda; IgG é a memória do sistema imune, aquela lembrança que fica de guarda-costas por muito tempo. No caso do paciente 1, como ele foi adequadamente vacinado contra o VHA, o perfil esperado é anti-VHA IgG reagente, e não IgM. Isso porque a vacina induz produção de anticorpos protetores, principalmente da classe IgG, sem necessidade de infecção natural. Já o paciente 2, com infecção aguda pelo VHA, deve apresentar anti-VHA IgM reagente, que é o marcador sorológico mais útil nessa fase. Por isso o gabarito B está correto: paciente 1 com anti-VHA IgG reagente e paciente 2 com anti-VHA IgM reagente. A lógica é simples e muito cobrada em microbiologia clínica: vacina sugere imunidade, infecção aguda sugere resposta recente. A banca costuma explorar justamente a troca entre IgM e IgG, então vale decorar essa dupla sem sofrimento. Resumo de prova: hepatite A aguda = IgM; vacinação ou infecção passada = IgG. Se você lembrar disso, já sai na frente sem precisar fazer malabarismo sorológico.