O conhecimento das boas práticas de laboratório e uma equipe qualificada são elementos necessários para a avaliação das amostras de sangue. Uma acentuada hemólise in vitro poderá afetar o resultado de diversos analitos, determinando, por exemplo, a pseudo-hipercalemia. O analito envolvido nessa condição é o
- A)sódio.
Sódio não é o analito clássico associado à pseudo-hipercalemia por hemólise, então a alternativa está errada.
- B)potássio.
Correta: a hemólise libera potássio das hemácias, elevando artificialmente a dosagem.
- C)cálcio iônico.
Cálcio iônico pode sofrer interferências em outras situações, mas não é o analito típico da pseudo-hipercalemia.
- D)cádmio.
Cádmio não tem relação com esse fenômeno laboratorial, então está incorreta.
- E)cloreto.
Cloreto não é o principal analito ligado à pseudo-hipercalemia em amostra hemolisada.
Gabarito: B
Quando a amostra de sangue sofre hemólise intensa, os glóbulos vermelhos se rompem e liberam o que estava dentro deles no plasma. Aí o laboratório pode enxergar um valor artificialmente alto de alguns analitos, isto é, uma alteração que nasce na coleta ou no manuseio, e não no paciente. Isso é o famoso efeito "in vitro": o problema aconteceu na bancada, não no corpo. Na prática, o analito mais lembrado nessa situação é o potássio. As hemácias têm concentração intracelular alta de K+, então, se elas hemolisam, esse íon escapa e o exame pode vir elevado sem que exista uma hipercalemia verdadeira. Por isso, uma amostra hemolisada é um alerta clássico para pseudo-hipercalemia. O raciocínio é simples: se a célula se rompe, o conteúdo celular vaza para o soro ou plasma e bagunça o resultado. Em provas, isso costuma cair como associação entre hemólise e aumento falso de potássio, enquanto sódio, cloreto e cálcio iônico não são a referência típica dessa pegadinha. Então o gabarito está em B porque a pseudo-hipercalemia decorre da liberação de potássio pelas hemácias hemolisadas. É um daqueles casos em que a amostra fala mais alto do que o paciente, e o laboratório precisa desconfiar da qualidade pré-analítica antes de culpar o organismo.