Um cocobacilo Gram-negativo foi recuperado em ágar chocolate de uma amostra de líquor proveniente de um paciente imunocomprometido. O organismo não apresentava motilidade e era positivo para indofenol-oxidase, no entanto, falhou em crescer no ágar MacConkey. O organismo isolado era ainda altamente susceptivel à penicilina. A identificação mais provável é:
- A)Actinobacter baumannii.
Acinetobacter baumannii é Gram-negativo e não motil, mas costuma crescer em MacConkey e não combina com o perfil de oxidase positiva da questão.
- B)Moraxella lacunata.
Moraxella lacunata é um cocobacilo Gram-negativo, oxidase positivo, não motil e compatível com crescimento em ágar chocolate, o que encaixa melhor no caso.
- C)Pseudomonas stutzeri.
Pseudomonas stutzeri é oxidase positiva, mas é bacilo móvel e geralmente cresce em MacConkey, então não corresponde ao quadro descrito.
- D)Nocardia brasiliensis.
Nocardia brasiliensis é um bacilo Gram-positivo filamentoso parcialmente álcool-ácido resistente, portanto foge completamente do padrão Gram-negativo apresentado.
- E)Pseudomonas aeruginosas.
Pseudomonas aeruginosa é oxidase positiva e cresce em MacConkey, além de ser motil, o que contradiz vários elementos do enunciado.
Gabarito: B
O enunciado descreve um cocobacilo Gram-negativo, não motil, oxidase positivo, isolado de líquor e que cresce em ágar chocolate, mas não em MacConkey. Esse conjunto aponta para um microrganismo exigente, associado a infecções invasivas, especialmente em pacientes imunocomprometidos. O detalhe da alta sensibilidade à penicilina também ajuda, porque afasta vários bacilos Gram-negativos mais resistentes. Entre as opções, o perfil bate melhor com Moraxella lacunata. Moraxella pode aparecer como cocobacilo Gram-negativo, é oxidase positiva, não motil e tem comportamento compatível com crescimento em meios enriquecidos, como o ágar chocolate. Além disso, o fato de não crescer em MacConkey reforça que não estamos diante de um não fermentador mais “resistente de laboratório”, como Pseudomonas ou Acinetobacter. A banca costuma misturar características de laboratório com aspectos clínicos para testar a leitura fina do caso. Aqui, o segredo é juntar morfologia, exigência nutricional, teste de oxidase e padrão de crescimento. Quando você vê Gram-negativo + oxidase positivo + não motil + falha no MacConkey, já desconfia que a “cara de Pseudomonas” é só uma isca. Então, o gabarito B faz sentido porque Moraxella lacunata reúne os traços microbiológicos mais compatíveis com o quadro descrito, enquanto as demais alternativas fogem em pontos centrais como motilidade, exigência de crescimento, resistência ou comportamento em meio de cultura.