O fenótipo Bombaim, também chamado de falso O, foi descoberto em 1952 na Índia e embora raro, deve ser considerado na rotina de transfusões sanguíneas. Quanto a indivíduos portadores do fenótipo Bombaim, analise as afirmativas a seguir. I. Mesmo em indivíduos de genótipo A ou B, esse fenótipo se caracteriza pela ausência dos antígenos A, B e H normais. II. Hemácias de portadores deste fenótipo reagem com soro anti-H ou com extrato de Ulex europaeus. III. O sangue de indivíduos Bombaim é incompatível com todos os doadores ABO. Está correto o que se afirma em
- A)I, somente.
Essa alternativa sustenta que apenas a afirmativa I está correta. A I descreve bem o fenótipo Bombaim, porque o indivíduo com genótipo hh não forma o antígeno H e, sem ele, não consegue expressar A nem B nas hemácias, mesmo que tenha alelos A ou B. O problema é que a afirmativa III também procede, já que esses pacientes têm anti-H e ficam incompatíveis com os doadores ABO habituais.
- B)II, somente.
Essa alternativa afirma que somente a II está correta. A II está errada porque soro anti-H e extrato de Ulex europaeus são reagentes usados para identificar o antígeno H, e no fenótipo Bombaim esse antígeno está ausente, de modo que as hemácias não reagem. Como a I e a III também são verdadeiras, não há como isolar apenas a II.
- C)III, somente.
Essa alternativa toma como correta apenas a afirmativa III. De fato, o sangue Bombaim é incompatível com os doadores ABO comuns, porque o receptor possui anti-H, além de anti-A e anti-B, e isso impede a transfusão com hemácias dos grupos usuais. O equívoco está em desconsiderar a I, que também é verdadeira ao apontar a ausência de A, B e H nas hemácias.
- D)I e III, somente.
Essa é a combinação correta porque reúne a I e a III. A I está certa, pois o fenótipo Bombaim decorre da ausência de H, e sem H não há expressão normal de A e B na membrana eritrocitária, ainda que o genótipo seja A ou B. A III também é correta, já que o portador produz anti-H e, por isso, não aceita sangue dos grupos ABO comuns.
- E)I, II e III.
Essa alternativa afirma que todas as três assertivas são verdadeiras. A I e a III realmente estão corretas, mas a II erra porque hemácias Bombaim não reagem com anti-H nem com Ulex europaeus, justamente por não apresentarem o antígeno H. Assim, o conjunto não pode ser considerado integralmente verdadeiro.
Gabarito: D
O fenótipo Bombaim, ou falso O, é um daqueles casos em que a genética faz pegadinha com a sorologia. A pessoa pode até ter genes A ou B, mas se for hh, não consegue formar a substância H, que é a base sobre a qual os antígenos A e B se “montam”. Sem H, não aparecem A nem B na hemácia, mesmo que o genótipo diga o contrário. Por isso, a afirmativa I está correta: o quadro se caracteriza pela ausência dos antígenos A, B e H nas hemácias, inclusive em indivíduos que geneticamente poderiam ser A ou B. Esse é o ponto clássico do Bombaim: o problema não é o ABO em si, mas a falta do precursor H. A afirmativa II está errada. Hemácias de portadores do fenótipo Bombaim não reagem com anti-H nem com lectina de Ulex europaeus, justamente porque não possuem antígeno H na superfície. Se reagissem, deixariam de ser Bombaim e voltariam a se comportar como hemácias com H presente. A afirmativa III está correta. Como esses indivíduos costumam ter anti-A, anti-B e anti-H no plasma, o sangue deles fica incompatível com os doadores ABO comuns. Na prática transfusional, o paciente Bombaim só pode receber sangue de outro Bombaim. É raro, mas na hemoterapia raridade não perdoa: precisa reconhecer antes da transfusão.