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Biomedicina - Análises Clínicas · FGV · 2021

Questão comentada de Biomedicina - Análises Clínicas

O fenótipo Bombaim, também chamado de falso O, foi descoberto em 1952 na Índia e embora raro, deve ser considerado na rotina de transfusões sanguíneas. Quanto a indivíduos portadores do fenótipo Bombaim, analise as afirmativas a seguir. I. Mesmo em indivíduos de genótipo A ou B, esse fenótipo se caracteriza pela ausência dos antígenos A, B e H normais. II. Hemácias de portadores deste fenótipo reagem com soro anti-H ou com extrato de Ulex europaeus. III. O sangue de indivíduos Bombaim é incompatível com todos os doadores ABO. Está correto o que se afirma em

Gabarito: D

O fenótipo Bombaim, ou falso O, é um daqueles casos em que a genética faz pegadinha com a sorologia. A pessoa pode até ter genes A ou B, mas se for hh, não consegue formar a substância H, que é a base sobre a qual os antígenos A e B se “montam”. Sem H, não aparecem A nem B na hemácia, mesmo que o genótipo diga o contrário. Por isso, a afirmativa I está correta: o quadro se caracteriza pela ausência dos antígenos A, B e H nas hemácias, inclusive em indivíduos que geneticamente poderiam ser A ou B. Esse é o ponto clássico do Bombaim: o problema não é o ABO em si, mas a falta do precursor H. A afirmativa II está errada. Hemácias de portadores do fenótipo Bombaim não reagem com anti-H nem com lectina de Ulex europaeus, justamente porque não possuem antígeno H na superfície. Se reagissem, deixariam de ser Bombaim e voltariam a se comportar como hemácias com H presente. A afirmativa III está correta. Como esses indivíduos costumam ter anti-A, anti-B e anti-H no plasma, o sangue deles fica incompatível com os doadores ABO comuns. Na prática transfusional, o paciente Bombaim só pode receber sangue de outro Bombaim. É raro, mas na hemoterapia raridade não perdoa: precisa reconhecer antes da transfusão.

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