A utilização do soro antiglobulina humana (AGH) pode ser considerada como a mais importante descoberta da medicina transfusional, depois do sistema de grupo sanguíneo ABO. A facilidade de execução e a informação diagnóstica que o teste da antiglobulina fornece, contribuíram para sua utilização em larga escala até os dias de hoje. (https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/imuno_hematologia_laboratorial.pdf, adaptado.) No teste da antiglobulina direto (TAD), também conhecido como Coombs direto (CD), as antiglobulinas humanas detectam
- A)anticorpos não aglutinantes, do tipo IgM e IgA, presentes no plasma.
Errada, porque o TAD não detecta anticorpos livres no plasma, e sim proteínas aderidas à hemácia.
- B)leucócitos contendo imunoglobulinas e frações do complemento, que foram aderidas in vitro à sua membrana.
Errada, porque o teste é para hemácias, não leucócitos, e a referência é à sensibilização da membrana eritrocitária.
- C)glóbulos vermelhos sensibilizados, in vitro, por anticorpos aglutinantes do tipo IgG.
Errada, porque a sensibilização in vitro por anticorpos aglutinantes é característica de outro contexto, não do Coombs direto.
- D)anticorpos aglutinantes, do tipo IgM e IgA, presentes no soro.
Errada, porque o enunciado descreve anticorpos no soro, mas o TAD pesquisa o que já está fixado na hemácia.
- E)hemácias revestidas in vivo por imunoglobulinas e/ou frações do complemento.
Certa, porque o Coombs direto detecta hemácias revestidas in vivo por imunoglobulinas e/ou frações do complemento.
Gabarito: E
O teste da antiglobulina direta, ou Coombs direto, serve para descobrir se a hemácia já saiu da vida dela com “marcas” grudadas na membrana. Essas marcas costumam ser imunoglobulinas e/ou frações do complemento aderidas in vivo à superfície das hemácias. Quando o soro antiglobulina humana é adicionado, ele liga essas proteínas e provoca aglutinação, facilitando a detecção. Pense assim: no TAD, você está olhando para a célula já sensibilizada dentro do organismo, e não para uma reação feita depois, no tubo. Por isso ele é muito útil em situações como doença hemolítica autoimune, reação transfusional e doença hemolítica do recém-nascido. O ponto-chave é exatamente esse: o teste identifica hemácias revestidas por IgG e/ou complemento que foram fixados em vivo. Isso é o que torna o gabarito correto. As alternativas que falam em anticorpos no plasma ou em sensibilização in vitro estão confundindo o alvo do exame ou descrevendo outro contexto de imuno-hematologia. Em resumo: Coombs direto = hemácia já sensibilizada na circulação, com imunoglobulina e/ou complemento na membrana. Coombs indireto é que pesquisa anticorpos livres no soro. Na prova, essa troca costuma ser a clássica pegadinha.