Segundo a Resolução RDC nº 302/ 2005, que dispõe sobre o Regulamento Técnico para funcionamento de Laboratórios Clínicos, este e o e o posto de coleta laboratorial, “devem possuir instruções de limpeza, desinfecção e esterilização, quando aplicável, das superfícies, instalações, equipamentos, artigos e materiais.” Entre as substâncias e processos utilizados no cumprimento da resolução acima,
- A)a autoclavação é um processo de desinfecção com calor seco e alta pressão que é muito efetivo na descontaminação de utensílios laboratoriais e materiais para descarte.
Errada, porque autoclavação usa vapor sob pressão com calor úmido, e não calor seco, sendo método de esterilização e não apenas desinfecção.
- B)a imersão em solução de glutaraldeído a 2% por 8 a 10 horas é usada para esterilização de artigos termosensíveis e termorresistentes.
Certa, porque o glutaraldeído a 2% por 8 a 10 horas é usado como esterilizante químico para artigos termossensíveis.
- C)a fervura em água à pressão atmosférica por 15 minutos é considerada um processo esterilizante, pois mata vírus, bactérias e esporos.
Errada, porque a fervura em água não é considerada esterilização, já que não elimina de forma confiável todos os esporos.
- D)as soluções de hipoclorito são recomendadas para desinfecção e esterilização de pisos, vidrarias e objetos metálicos, inclusive aqueles contaminados com sangue.
Errada, porque hipoclorito é usado para desinfecção e não para esterilização, além de poder ser corrosivo para alguns materiais, especialmente metálicos.
- E)os álcoois, etílico e isopropílico, quando utilizados em soluções aquosas entre 50 e 75 %, são agentes esterilizantes, pois são capazes de eliminar até mesmo vírus.
Errada, porque álcoois a 50% a 75% atuam como desinfetantes, mas não são agentes esterilizantes e não eliminam todos os tipos de microrganismos, como esporos.
Gabarito: B
A RDC nº 302/2005 exige que laboratórios clínicos tenham rotina escrita de limpeza, desinfecção e, quando couber, esterilização de superfícies, instalações, equipamentos e materiais. A lógica aqui é simples: cada tipo de material pede um nível de processamento diferente, e a palavra-chave da questão é justamente não confundir desinfecção com esterilização. Esterilização é o nível mais alto de eliminação de microrganismos, inclusive esporos. Já a desinfecção reduz ou elimina a maioria dos patógenos, mas não garante esse efeito total. Por isso, nem todo produto “forte” é esterilizante, e nem todo método serve para qualquer tipo de material. Em prova, a banca adora misturar esses conceitos como quem troca sal por açúcar na cozinha. O item B está correto porque a imersão em glutaraldeído a 2% por 8 a 10 horas é um método clássico usado para esterilização química de artigos termossensíveis, isto é, materiais que não suportam calor. O tempo prolongado é justamente o que permite alcançar o efeito esterilizante. Esse é o ponto técnico cobrado em normas de processamento de materiais e práticas de controle de infecção. As outras alternativas escorregam nos conceitos: autoclave não é calor seco, fervura não esteriliza, hipoclorito é desinfetante e álcool é antisséptico/desinfetante, não esterilizante. Então, quando a questão fala em substâncias e processos da RDC, o raciocínio certo é separar bem desinfecção de esterilização e lembrar quais agentes realmente alcançam o nível máximo.