m relação às variantes fenotípicas do antígeno D e às recomendações transfusionais para o sistema Rh, as opções a seguir apresentam afirmativas corretas, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)A variante fenotípica D fraco, também conhecida como “variante Du”, possui expressão enfraquecida do antígeno D, o qual reage de maneira variável com os antissoros D.
Certa: o D fraco tem expressão diminuída do antígeno D e pode reagir de forma variável com anti-D.
- B)O antígeno D fraco deve ser diagnosticado por Coombs indireto, uma vez que a técnica de aglutinação direta normalmente não é eficaz.
Certa: o D fraco costuma exigir confirmação por teste de antiglobulina indireta, pois a aglutinação direta pode não detectar a baixa expressão.
- C)A diferenciação entre RhD parcial e RhD fraco é recomendada, uma vez que indivíduos D fraco devem receber transfusão de hemocomponentes RhD negativo e, indivíduos RhD parcial, de hemocomponentes RhD positivo.
Errada: a conduta transfusional foi invertida e não corresponde à recomendação correta para D fraco e RhD parcial.
- D)As hemácias contendo D fraco podem provocar aloimunização transfusional ou feto-materna.
Certa: hemácias com D fraco podem sim desencadear aloimunização transfusional ou feto-materna em alguns cenários.
- E)A diferenciação entre RhD parcial e RhD fraco deve ser realizada pela associação entre métodos moleculares e imunológicos.
Certa: a distinção entre RhD parcial e RhD fraco pode exigir a combinação de métodos imunológicos com testes moleculares.
Gabarito: C
O sistema Rh, especialmente o antígeno D, é um dos campeões de importância em imun-hematologia porque pequenos detalhes fenotípicos podem mudar a conduta transfusional e obstétrica. Entre esses detalhes, entram as variantes do antígeno D, como o D fraco e o D parcial. No D fraco, a expressão do antígeno é reduzida, então a reação com anti-D pode ficar fraca ou até negativa em testes comuns; por isso, muitas vezes ele é identificado com técnica de antiglobulina (Coombs indireto) ou métodos equivalentes de pesquisa complementar. O ponto mais importante é que D fraco e RhD parcial não são a mesma coisa. Em geral, pessoas com D fraco podem não formar anticorpo anti-D contra o próprio D, enquanto indivíduos com RhD parcial podem perder alguns epítopos do antígeno e, por isso, têm risco de aloimunização se expostos ao D completo. É exatamente por isso que a diferenciação entre essas variantes é relevante e pode exigir associação de testes imunológicos com métodos moleculares. Agora vem o pulo do gato da questão: a alternativa C trocou as condutas. Não é regra que o D fraco deva receber hemocomponentes RhD negativo e que o RhD parcial receba RhD positivo. Em linhas gerais, a conduta transfusional depende do tipo de variante e do contexto clínico, mas essa inversão simplificada está errada. A banca quer que você perceba a troca indevida entre os perfis e as recomendações. As demais afirmativas seguem a lógica esperada da imun-hematologia: D fraco pode reagir de forma variável, pode demandar teste em fase de antiglobulina, e a diferenciação entre variantes faz sentido porque elas não têm o mesmo risco imunológico. Em prova, sempre desconfie quando a banca faz uma troca aparentemente elegante, mas biologicamente torta.