A hemólise in vitro pode ser considerada como a maior causa de rejeição de amostras de sangue em laboratórios clínicos. Em relação a este artefato da fase pré-analítica, analise as afirmativas a seguir. I. A punção de vasos pequenos ou frágeis, o calibre de agulha incorreto e o volume de sangue insuficiente em tubos contendo anticoagulante, são possíveis causas de hemólise. II. A hemoglobina liberada pela hemólise interfere na leitura espectrofotométrica. III. A coleta de sangue com seringa deve ser evitada, sempre que possível, uma vez que este método aumenta a ocorrência de hemólise nas amostras. Está correto o que se afirma em
- A)I, somente.
Errada, porque a afirmativa I está correta, mas ela não é a única verdadeira.
- B)II, somente.
Errada, porque a afirmativa II está correta, mas sozinha não resolve a questão.
- C)I e II, somente.
Errada, porque I e II estão certas, porém a III também está correta.
- D)I e III, somente.
Errada, porque I e III estão corretas, mas a II também é verdadeira.
- E)I, II e III.
Certa, porque I, II e III descrevem causas e efeitos clássicos da hemólise in vitro.
Gabarito: E
A hemólise in vitro é um artefato pré-analítico clássico: o sangue “quebra” fora do organismo, liberando hemoglobina e outros componentes das hemácias na amostra. Isso estraga a qualidade do exame e, por isso, é uma das principais causas de rejeição no laboratório. Pequenos deslizes na coleta já podem desencadear o problema, como punção de veias muito frágeis, uso de agulha com calibre inadequado e até volume insuficiente de sangue em tubos com anticoagulante, o que altera a relação sangue/aditivo e favorece a destruição celular. A hemoglobina livre no plasma ou soro interfere em vários métodos analíticos, especialmente na leitura espectrofotométrica, porque “atrapalha a visão” do equipamento, alterando a absorbância medida. Na prática, isso pode distorcer resultados de múltiplos testes e levar o laboratório a recusar a amostra ou interpretar o dado com cautela. A coleta com seringa também merece atenção: quando a aspiração é forte ou o sangue é transferido de forma inadequada para o tubo, a força mecânica aumenta e a hemólise fica mais provável. Por isso, sempre que possível, prefere-se a coleta a vácuo, que tende a ser mais padronizada e menos traumática para as hemácias. Assim, as três afirmativas estão corretas: todas descrevem causas ou consequências reais da hemólise in vitro. Em termos práticos, a questão cobra o básico bem cobrado em Análises Clínicas: reconhecer fatores de coleta que hemolisam e entender por que uma amostra hemolisada compromete a análise.