A meningite aguda é uma das infecções mais comuns do Sistema Nervoso Central (SNC), sendo bactérias e vírus importantes causas dessa doença. Devido à gravidade dessas infecções, o laboratório deve estar preparado para realizar o diagnóstico de maneira rápida e precisa. Sobre meningite aguda, assinale a alternativa INCORRETA.
- A)Amostras refrigeradas (2ºC a 8°C) podem inibir o isolamento de Neisseria meningitidis e S. pneumoniae.
Correta: refrigerar o LCR pode prejudicar o isolamento de agentes mais frágeis, como Neisseria meningitidis e Streptococcus pneumoniae.
- B)Em amostras de líquido cefalorraquidiano (LCR) positivas para meningite bacteriana, encontramos um aumento significativo na dosagem de proteínas, na redução de glicose e na diminuição do lactato, sendo este último parâmetro útil no diagnóstico diferencial da meningite inadequadamente tratada.
Errada: na meningite bacteriana o lactato do LCR tende a aumentar, e não a diminuir, sendo útil no diagnóstico diferencial.
- C)Entre os micro-organismos que mais comumente causam meningite em recém-nascidos estão a Escherichia coli, Streptococcus agalactiae e Listeria monocytogenes.
Correta: em recém-nascidos, Escherichia coli, Streptococcus agalactiae e Listeria monocytogenes estão entre as causas mais comuns.
- D)A pesquisa direta de antígenos bacterianos é uma ferramenta muito útil no diagnóstico de meningite bacteriana, mas pode apresentar um resultado falso-positivo em indivíduos portadores do fator reumático ou em reações cruzadas com outros agentes.
Correta: a pesquisa de antígenos pode ajudar no diagnóstico, mas pode dar falso-positivo por fator reumatoide ou reações cruzadas.
- E)A diminuição de lactato e a presença de linfócitos e macrófagos no exame quimiocitológico do LCR são achados laboratoriais importantes para o esclarecimento diagnóstico de casos suspeitos de meningite viral aguda.
Correta: meningite viral costuma cursar com linfócitos e macrófagos no LCR, além de lactato geralmente normal ou pouco elevado.
Gabarito: B
A meningite aguda exige rapidez porque o atraso no diagnóstico pode piorar muito o prognóstico. No LCR, a lógica geral ajuda bastante: na meningite bacteriana costuma haver aumento de proteínas, queda de glicose, pleocitose com predomínio de neutrófilos e, frequentemente, aumento do lactato. Já na meningite viral, o padrão mais comum é outro: linfócitos predominam e o lactato tende a não subir tanto. O ponto mais cobrado em prova é lembrar que o lactato no LCR não diminui na meningite bacteriana. Na verdade, ele costuma aumentar, porque reflete metabolismo anaeróbio e inflamação intensa no SNC. Por isso, ele ajuda no diagnóstico diferencial, especialmente quando a meningite bacteriana está parcialmente tratada ou o quadro clínico ainda está confuso. Outro detalhe prático: amostras de LCR devem ser processadas rapidamente e, em geral, não devem ficar refrigeradas antes da cultura quando há suspeita de agentes como Neisseria meningitidis e Streptococcus pneumoniae, pois isso pode reduzir a chance de isolamento. Em recém-nascidos, lembre da tríade clássica: Escherichia coli, Streptococcus agalactiae e Listeria monocytogenes. Então, o gabarito é a alternativa B porque ela inverte o comportamento do lactato: em meningite bacteriana, ele aumenta, não diminui. É a típica pegadinha de prova, trocando um achado laboratorial importante por seu oposto.