Analise as afirmativas relacionadas à bioquímica e enzimologia clínica e assinale a alternativa INCORRETA.
- A)A enzima alanina aminotransferase (ALT) é mais específica do que a aspartato aminotransferase (AST) como marcador de doença hepática.
Certa: a ALT é mais específica para lesão hepática do que a AST, que também pode se elevar em músculos e outros tecidos.
- B)A atividade total da enzima lactato desidrogenase (LDH) pode estar elevada em condições patológicas em que haja dano ou destruição celular, uma vez que não está presente em outros líquidos biológicos, além do sangue.
Errada: a LDH não está apenas no sangue, mas em muitos tecidos e líquidos biológicos, o que a torna um marcador inespecífico de dano celular.
- C)A gamaglutamiltransferase (GGT) pode ser utilizada como marcador de ingestão de bebidas alcoólicas e administração de medicamentos.
Certa: a GGT pode aumentar com ingestão de álcool e uso de medicamentos indutores enzimáticos.
- D)As troponinas cardíacas, assim como a enzima CK-MB, apresentam sensibilidades comparáveis para a detecção do Infarto Agudo do Miocárdio inicial, mas as troponinas cardíacas possuem maior especificidade, além de serem utilizadas para documentar o dano do miocárdio dias depois, quando a CK-MB já retornou aos seus níveis normais.
Certa: as troponinas são mais específicas para infarto e permanecem elevadas por mais tempo do que a CK-MB.
- E)Tanto a amilase como a lipase são marcadores de doença pancreática aguda, mas a lipase tem a vantagem de não ser eliminada na urina e, assim, pode permanecer elevada após a liberação concomitante da amilase pelo pâncreas ter retornado aos níveis normais.
Certa: a lipase é útil na pancreatite aguda e costuma permanecer elevada por mais tempo que a amilase.
Gabarito: B
Na bioquímica clínica, a ideia central é simples: cada enzima ou proteína “acende um alerta” quando há lesão tecidual, mas a utilidade do marcador depende de especificidade, sensibilidade e do tempo de permanência no sangue. Por isso, ALT e AST ajudam na avaliação hepática, CK-MB e troponinas são usadas no contexto cardíaco, e amilase/lipase na suspeita de pancreatite. A banca gosta de comparar marcadores parecidos e cobrar qual deles é mais específico, mais sensível ou fica alterado por mais tempo. A alternativa incorreta é a B porque a LDH não está presente apenas no sangue. Ela é uma enzima amplamente distribuída em vários tecidos e também pode ser encontrada em outros líquidos biológicos, como líquor, pleural e ascítico, dependendo do contexto clínico e laboratorial. Justamente por ser tão espalhada pelo organismo, a elevação da LDH indica lesão celular de forma muito inespecífica, e não um achado restrito ao sangue. As demais afirmativas refletem conceitos clássicos: ALT é mais específica para fígado do que AST; GGT pode aumentar em uso de álcool e de certos fármacos; troponinas cardíacas são mais específicas que CK-MB e permanecem elevadas por mais tempo; e a lipase costuma ser mais útil que a amilase na pancreatite aguda porque fica elevada por mais tempo. Em resumo: a questão testa o marcador certo para o órgão certo e o “tempo de vida” de cada exame no organismo. Se quiser memorizar rápido: ALT = fígado, troponina = coração, lipase = pâncreas, GGT = álcool/fármacos, e LDH = lesão celular ampla, porém pouco específica.