Uma vez completado o desenvolvimento no timo, as células T entram na corrente sanguínea e são transportadas pela circulação. Chegando aos órgãos linfoides periféricos, deixam mais uma vez o sangue para migrar ao longo do tecido linfoide, retornando à corrente sanguínea para recircular entre o sangue e o tecido linfoide periférico, até encontrarem o seu antígeno-específico. Dessa forma, é possível afirmar que:
- A)A interação inicial de células B com células apresentadoras de antígeno é mediada por moléculas de adesão.
Errada, porque a interação inicial entre células B e APC não é o ponto clássico da ativação linfocitária descrito no enunciado, e a adesão não é o mecanismo principal dessa etapa.
- B)As respostas de células B são iniciadas nos órgãos linfoides periféricos por células apresentadoras de antígenos ativadas.
Errada, porque a ativação inicial de células B depende sobretudo do reconhecimento do antígeno pelo BCR, e não de APC ativadas como regra principal.
- C)A migração, a ativação e a função efetora dos linfócitos independem das interações célula-célula mediadas pelas moléculas de adesão.
Errada, porque a migração, ativação e função efetora dos linfócitos dependem sim de interações célula-célula mediadas por moléculas de adesão e coestimulação.
- D)Os sinais do ligante específico e o coestimulador, emitidos por uma célula apresentadora de antígeno profissional, são necessários para a expansão clonal das células T virgens.
Certa, porque células T virgens precisam do reconhecimento do antígeno e de coestimulação fornecida por APC profissionais para expandirem clonadamente.
- E)O complexo peptídeo MHC exposto na superfície de células apresentadoras de antígenos é reconhecido por células B virgens que migram através dos tecidos linfoides periféricos.
Errada, porque o complexo peptídeo-MHC é reconhecido por células T, não por células B virgens.
Gabarito: D
Depois que os linfócitos T amadurecem no timo, eles circulam entre sangue e órgãos linfoides periféricos em busca do antígeno certo. Essa “patrulha” é organizada por moléculas de adesão, quimiocinas e pela interação entre receptor do linfócito T e o antígeno apresentado por células apresentadoras de antígeno profissionais, como dendríticas, macrófagos e linfócitos B. Em resumo: o linfócito T não sai ativado por aí só porque passou perto de uma célula qualquer; ele precisa de reconhecimento específico e de um segundo sinal para não ligar o modo “alerta máximo” à toa. O ponto central da questão é que a ativação de células T virgens depende de dois sinais. O primeiro é o reconhecimento do peptídeo ligado ao MHC pelo TCR. O segundo é o coestímulo, especialmente a interação entre B7 (CD80/CD86) na célula apresentadora de antígeno e CD28 na célula T. Sem esse coestímulo, a célula T pode ficar anérgica ou não se expandir adequadamente. Por isso, o gabarito é a letra D: os sinais do antígeno e do coestimulador, emitidos por uma célula apresentadora de antígeno profissional, são necessários para a expansão clonal das células T virgens. Isso é doutrina clássica de Imunologia: APC profissional apresenta o antígeno e fornece o coestímulo necessário para ativar o linfócito T. A ideia de órgãos linfoides periféricos também é importante porque é ali que o encontro entre antígeno e linfócito acontece com eficiência. O sistema inteiro foi desenhado para evitar ativação aleatória e garantir resposta específica, rápida e bem regulada.