O êxito na observação e isolamento do agente etiológico é condicionado, além dos procedimentos adequados de coleta, transporte, conservação e armazenamento da amostra, à execução correta de seu processamento prévio ao exame micológico. Trata-se de uma correta recomendação em relação ao processamento de amostras para o exame micológico:
- A)O exame microscópico direto de amostras de pelos, cabelos e escamas de unha requer clarificação com solução de KOH a 20%.
Correta: KOH a 20% é usado para clarificar pelos, cabelos e escamas de unha, facilitando a visualização microscópica de fungos.
- B)Tecidos obtidos por biópsia devem ser submetidos à cultura diretamente após a coleta, sem a necessidade de fragmentação ou maceração.
Errada: tecidos de biópsia geralmente devem ser fragmentados ou macerados antes da cultura para aumentar o rendimento do isolamento.
- C)Para amostras de líquor, secreções e fluidos corporais, a centrifugação é desnecessária, e a amostra pode ser diretamente semeada nos meios de cultura.
Errada: líquor, secreções e fluidos corporais costumam ser centrifugados para concentrar o agente antes da semeadura.
- D)O uso de solução de KOH a 20% é recomendado para digestão de amostras de escarro, pois melhora, significativamente, a recuperação de fungos nos meios de cultura.
Errada: KOH é usado para clarificação de material queratinizado, não como etapa padrão para digestão de escarro em cultura.
- E)Para amostras sanguíneas, o exame microscópico direto tem alta sensibilidade; dessa forma, uma alíquota deve passar por centrifugação para concentrar os elementos fúngicos presentes na amostra.
Errada: sangue não tem alta sensibilidade no exame microscópico direto para fungos e, quando indicado, o enfoque é cultura e métodos apropriados de concentração/processamento.
Gabarito: A
No exame micológico, o primeiro cuidado não é o fungo em si, mas a amostra chegando bem ao laboratório: coleta, transporte, conservação e processamento fazem toda a diferença. Em amostras de pele, pelos, cabelos e unhas, a lógica é “limpar o cenário” para enxergar melhor as estruturas fúngicas no microscópio. Por isso, a clarificação com solução de KOH a 20% é um passo clássico e correto no exame microscópico direto desse tipo de material. O hidróxido de potássio dissolve a queratina e outros detritos, deixando hifas, leveduras e artroconídios mais visíveis. É aquele truque simples que ajuda a revelar o que estava escondido no meio da bagunça. A alternativa A está correta justamente por trazer essa recomendação para pelos, cabelos e escamas de unha. Esse é um procedimento muito usado na micologia diagnóstica, especialmente quando se suspeita de dermatófitos. As demais opções tropeçam em princípios básicos de processamento: tecidos devem ser fragmentados, líquidos de sítios estéreis costumam exigir concentração por centrifugação e amostras como sangue não se resolvem com microscopia direta como regra. Em resumo: na micologia, cada amostra pede um preparo próprio, e não existe “receita única” que funcione para tudo.