A premissa ou hipótese atuarial que aborda a perda de poder de compra ao longo do ano, resultante da diferença entre a periodicidade anual (maior) do reajuste dos benefícios e a periodicidade mensal (menor) dos seus pagamentos é
- A)a compensação previdenciária.
Compensação previdenciária é o acerto financeiro entre regimes de previdência, não a hipótese que mede perda do poder de compra ao longo do ano.
- B)o fator de capacidade.
Correta, porque o fator de capacidade ajusta o valor do benefício para refletir a perda de poder aquisitivo entre o reajuste e os pagamentos mensais.
- C)a geração futura.
Geração futura se relaciona à renovação de participantes ou reposição de força de trabalho, não à diferença de periodicidade entre reajuste e pagamento.
- D)a reposição.
Reposição remete à recomposição de valores ou cobertura de substituição, mas não é o nome da hipótese atuarial descrita no enunciado.
- E)a rotatividade.
Rotatividade diz respeito à entrada e saída de participantes ou empregados, tema ligado a recursos humanos e massa de segurados, não à corrosão inflacionária dos benefícios.
Gabarito: B
Em planos de previdência, a atuarial não olha só para quanto o benefício vale hoje, mas também para como ele perde ou ganha poder de compra no tempo. Quando o reajuste dos benefícios acontece em uma periodicidade mais longa, como anual, mas os pagamentos saem em periodicidade menor, como mensal, surge um efeito de erosão ao longo do ano. Em outras palavras: o benefício vai sendo pago mês a mês, mas só é reajustado lá na frente, então os primeiros pagamentos já sofrem com a inflação acumulada do período. É exatamente para lidar com isso que existe o fator de capacidade. Ele é uma hipótese atuarial usada para ajustar valores monetários e refletir a perda de poder aquisitivo entre uma data de reajuste e a data dos pagamentos. Na prática, ele corrige a diferença entre o momento em que o benefício é atualizado e o momento em que ele é efetivamente recebido, evitando superestimar o valor real dos pagamentos. Por isso, o gabarito é a letra B. A questão descreve com precisão a ideia de perda de poder de compra causada pela diferença de periodicidade entre reajuste e pagamento, que é a definição clássica do fator de capacidade. Em concursos, isso costuma aparecer como um detalhe pequeno, mas que muda toda a conta, como um vilão discreto de planilha. As demais alternativas tratam de temas diferentes da atuação previdenciária e não resolvem esse efeito de inflação intraperíodo. Então, se aparecer a pista de reajuste anual com pagamento mensal e menção à perda do poder de compra, pense imediatamente em fator de capacidade.