O indicador de anos potenciais de vida perdidos é uma métrica de saúde pública que mede o impacto da mortalidade prematura em uma população, calculando o número de anos que pessoas deixam de viver devido a mortes ocorridas antes de uma idade limite fixada geralmente como 70 ou 75 anos. As principais causas de morte prematura incluem acidentes de trânsito, cânceres, doenças cardiovasculares e doenças perinatais. Dentre os modelos de construção de tábuas biométricas apresentados, aquele que captura melhor a probabilidade de morte acidental maior entre jovens adultos é o modelo de:
- A)De Moivre;
De Moivre é um modelo simplificado e linear, sem capacidade de representar bem o pico de mortalidade acidental entre jovens adultos.
- B)Gompertz;
Gompertz descreve bem o aumento exponencial da mortalidade com a idade, mas não captura adequadamente esse comportamento irregular nas idades jovens.
- C)Gompertz-Makeham;
Gompertz-Makeham melhora Gompertz ao incluir um componente constante de risco, mas ainda é limitado para o padrão acidental específico de jovens adultos.
- D)Heligman-Pollard;
Heligman-Pollard é o modelo mais flexível e consegue ajustar melhor o excesso de mortalidade em idades jovens, como o causado por acidentes.
- E)Perks.
Perks é uma forma paramétrica útil para certas curvas de sobrevivência, mas não é o mais indicado para representar o pico de mortes acidentais em jovens.
Gabarito: D
Em tábuas biométricas, o objetivo é descrever como a mortalidade varia com a idade. Alguns modelos são bem simples e servem para curvas mais “bonitinhas” e regulares, mas a realidade humana gosta de fazer bagunça: a mortalidade não sobe de forma uniforme em todas as idades. Em especial, entre crianças, jovens e adultos jovens, existe um comportamento diferente, com um pico de mortes acidentais que modelos muito lisos não capturam bem. É aí que entra o modelo de Heligman-Pollard. Ele foi criado justamente para ajustar a mortalidade em várias fases da vida, incluindo o excesso de mortalidade em idades jovens, que costuma refletir acidentes, causas externas e outros eventos não puramente biológicos. Por isso ele é muito mais flexível do que modelos clássicos e consegue representar melhor esse “soluço” na curva de mortalidade. Já Gompertz, Gompertz-Makeham, De Moivre e Perks são modelos mais simples e com menos liberdade para desenhar esse comportamento irregular dos jovens adultos. Eles funcionam bem em certos intervalos etários, especialmente nas idades adultas e avançadas, mas não foram pensados para capturar com precisão esse pico acidental típico da juventude. Então o gabarito é a letra D, porque Heligman-Pollard é o modelo mais adequado para reproduzir a mortalidade por causas acidentais em jovens adultos, justamente por sua estrutura mais completa e adaptável. Em prova, quando aparecer a ideia de mortalidade com “picos” ou padrões não lineares ao longo da idade, pense logo nele.