Os ganhos e perdas atuariais são reconhecidos em função das diferenças entre o projetado e o realizado, segregado também entre as eventuais mudanças ocorridas nas premissas de uma avaliação atuarial para outra. Aponte a opção que apresenta uma consequência desses conceitos.
- A)Dependem da variação dos valores dos salários e benefícios, mas não das quantidades.
Errada, porque os ganhos e perdas atuariais também podem decorrer de variações nas quantidades, como mortalidade, rotatividade, invalidez e outros eventos demográficos, não apenas de salários e benefícios.
- B)Independem da variação das taxas observadas de mortalidade, invalidez e morbidez.
Errada, porque mudanças nas taxas observadas de mortalidade, invalidez e morbidez são exatamente fontes típicas de ganhos e perdas atuariais.
- C)Independem da variação dos juros auferidos.
Errada, porque a taxa de juros é uma premissa atuarial central e sua variação afeta diretamente o valor presente das obrigações.
- D)São calculados também para planos de contribuição definida.
Errada, porque planos de contribuição definida não geram esse tipo de cálculo atuarial sobre benefício futuro prometido, já que o risco atuarial fica, em regra, concentrado na acumulação individual.
- E)Podem ser amortizados pelo prazo médio até a aposentadoria, desligamento (ativos) ou expectativa de sobrevida (aposentados).
Certa, porque os ganhos e perdas atuariais podiam ser amortizados ao longo de prazo ligado à vida laboral ou à expectativa de sobrevida dos participantes, conforme a lógica de diluição do efeito atuarial no tempo.
Gabarito: E
Ganhos e perdas atuariais aparecem quando a realidade foge do que foi projetado na avaliação atuarial. Em português bem direto: você estimou uma coisa e, na hora do jogo, o salário subiu diferente, a mortalidade mudou, a rotatividade veio outra, ou os juros ficaram em outro nível. Aí surge a diferença atuarial. Essas diferenças podem vir de duas fontes principais: alterações nas premissas atuariais entre avaliações e desvios entre o que foi previsto e o que de fato aconteceu. É por isso que elas são tratadas como um ajuste técnico importante na mensuração das obrigações do plano. A consequência cobrada na alternativa E está certa porque, no tratamento clássico desses valores, eles podiam ser reconhecidos de forma diferida e amortizados ao longo de um prazo ligado à permanência esperada dos participantes no plano: até a aposentadoria, desligamento dos ativos ou expectativa de sobrevida dos assistidos. A lógica é espalhar o efeito no tempo, em vez de jogar tudo de uma vez no resultado. Se você lembrar da ideia central, fica fácil: ganho ou perda atuarial não é lucro operacional nem prejuízo comum, é efeito de estimativa. E o mundo atuarial, como sempre, adora transformar uma previsão em uma pequena surpresa estatística.