Max Weber concebia uma administração pública eficiente como um sistema estruturado de cargos, em que os funcionários públicos, selecionados com base no mérito, atuariam seguindo princípios como impessoalidade, hierarquia, divisão do trabalho, dedicação exclusiva, progressão na carreira, utilização de registros escritos e conformidade com a legalidade. A preocupação de Weber em relação à visão tecnocrática e racional da burocracia residia basicamente na
- A)possibilidade de domínio e isolamento pelos experts, o que traria a necessidade de controle democrático.
Certa, porque traduz a preocupação de Weber com o poder excessivo dos especialistas e a necessidade de controle democrático sobre a burocracia.
- B)dificuldade de implementar mudanças estruturais na administração pública.
Errada, pois a dificuldade de mudanças estruturais é uma consequência possível da burocracia, mas não é a preocupação central destacada no enunciado.
- C)ineficiência operacional dos funcionários públicos em contextos políticos.
Errada, porque Weber não está focando em baixa produtividade dos servidores em contextos políticos, e sim no poder dos especialistas dentro da estrutura burocrática.
- D)resistência dos políticos em aceitar a presença de funcionários técnicos em cargos de liderança.
Errada, pois o problema apontado não é a resistência dos políticos, mas o risco de autonomia e isolamento da própria burocracia técnica.
- E)falta de distinção entre os papéis dos gestores e dos políticos no setor público.
Errada, porque a questão não trata de confusão entre gestores e políticos, e sim do domínio dos experts e da necessidade de controle democrático.
Gabarito: A
Max Weber via a burocracia como o modelo mais racional de organização para garantir previsibilidade, impessoalidade e eficiência. Nessa lógica, os cargos são definidos por competência técnica, a atuação segue regras formais e a administração ganha uma aparência de máquina bem ajustada. Parece ótimo no papel, e em muitos pontos realmente é uma grande evolução em relação ao patrimonialismo. Mas Weber também enxergava um lado sombrio nessa racionalização toda. Quando a burocracia vira um fim em si mesma, os especialistas passam a concentrar conhecimento, linguagem técnica e poder de decisão, criando um espaço de domínio que pode ficar distante do controle popular. É o famoso risco de os "experts" virarem donos do tabuleiro, enquanto o restante da sociedade só assiste. Por isso, a preocupação de Weber não era apenas com a eficiência, mas com a possibilidade de a burocracia se autonomizar e se isolar. A crítica central é justamente a de um aparato técnico muito poderoso, porém pouco permeável ao controle democrático. Em outras palavras: quanto mais técnica e racional a máquina, maior o risco de ela mandar mais do que servir. Assim, o gabarito é a letra A, porque expressa o medo de domínio e isolamento pelos especialistas, o que exigiria freios democráticos. Essa leitura combina com a tradição weberiana e com a discussão clássica sobre o "desencantamento" e a "gaiola de ferro" da racionalidade burocrática.