A reforma gerencial, implantada no Brasil a partir de meados dos anos 90, contrapunha-se aos princípios burocráticos weberianos. Nesse sentido, a reforma gerencial assentava-se no(s) princípio(s) de:
- A)centralização decisória e administrativa;
Errada, porque centralização decisória e administrativa é marca da burocracia tradicional, não da reforma gerencial.
- B)flexibilização, publicização e desestatização;
Certa, porque a reforma gerencial defende flexibilização da gestão, publicização de serviços e desestatização de atividades estatais.
- C)funcionários públicos estáveis e apolíticos;
Errada, porque funcionários estáveis e apolíticos são características da burocracia weberiana, não do modelo gerencial.
- D)hierarquias e regras bem definidas;
Errada, porque hierarquias e regras bem definidas representam o núcleo da administração burocrática clássica.
- E)especialização, imparcialidade e neutralidade.
Errada, porque especialização, imparcialidade e neutralidade também são traços típicos do modelo burocrático weberiano.
Gabarito: B
A reforma gerencial, que ganhou força no Brasil nos anos 1990, foi uma tentativa de sair da administração pública engessada e excessivamente formalista. A lógica deixou de ser só cumprir regra por regra e passou a valorizar resultado, eficiência, foco no cidadão e maior autonomia de gestão. É a famosa troca do "carimbo em cima do carimbo" por uma administração que tenta entregar melhor e mais rápido. Na prática, essa virada se inspira no chamado paradigma gerencial, ligado à New Public Management, que defende descentralização, controle por resultados, competição regulada e uso de instrumentos mais flexíveis de gestão. No Brasil, isso aparece com força no Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado, de 1995, elaborado no governo FHC, sob coordenação de Bresser-Pereira. Por isso, o gabarito é a letra B. "Flexibilização" traduz a quebra da rigidez burocrática; "publicização" remete à transferência da execução de serviços para entidades do setor público não estatal; e "desestatização" indica redução da atuação direta do Estado em certas atividades, com mais espaço para parceria e delegação. Tudo isso combina com a lógica gerencial, não com a burocrática clássica. Já os princípios burocráticos weberianos valorizam hierarquia, regras fixas, impessoalidade, especialização e estabilidade. Ou seja, o enunciado pediu exatamente o contrário disso: a reforma gerencial se contrapunha à rigidez burocrática e apostava em mais flexibilidade e menos Estado executor em tudo.