Desde a década de 1980, os defensores da nova gestão pública realizaram um ataque contínuo ao paradigma weberiano, promovendo valores empresariais e travando uma batalha ideológica contra a administração pública tradicional. Assinale a opção que apresenta uma consequência ideológica da nova gestão pública.
- A)O fortalecimento do ethos do serviço público.
Errada, porque a nova gestão pública não fortalece o ethos burocrático tradicional do serviço público, e sim critica sua rigidez e seu excesso de formalismo.
- B)A administração pública foi vista como a solução para os problemas sociais.
Errada, porque essa frase aponta para uma visão oposta à da nova gestão pública, que justamente desconfia da ideia de que a administração pública seja a solução automática para os problemas sociais.
- C)O governo passou a ser considerado parte do problema.
Certa, porque traduz a crítica ideológica central da nova gestão pública ao Estado tradicional, visto como ineficiente, pesado e, muitas vezes, parte do problema.
- D)A ignorância do conceito de eficiência administrativa.
Errada, porque a nova gestão pública valoriza fortemente a eficiência administrativa, tratando-a como um dos seus principais pilares.
- E)A centralização do poder no governo.
Errada, porque a nova gestão pública tende a propor descentralização, flexibilização e gestão por resultados, e não concentração de poder no centro do governo.
Gabarito: C
A nova gestão pública, ou New Public Management, surgiu como reação ao modelo burocrático clássico, muito associado a regras, controle de processos e estabilidade interna. A ideia era trazer para o Estado a lógica de resultados, eficiência, competição e foco no cidadão como “cliente” do serviço público. Em vez de confiar cegamente na máquina estatal, essa visão passou a defender que o setor público precisava funcionar com mais desempenho e menos apego à rigidez burocrática. Dentro dessa virada ideológica, o discurso ficou bem crítico ao tamanho e à capacidade de resposta do governo. Por isso, uma marca importante da nova gestão pública foi enxergar o governo como parte do problema em vários contextos, e não como solução automática para tudo. Essa é exatamente a lógica cobrada na alternativa C: há uma desconfiança em relação à intervenção direta e ao aparato estatal tradicional. A banca FGV costuma explorar essa mudança de linguagem e de valores: sai o Estado-gestor do carimbo e entra o Estado orientado por resultados, desempenho e eficiência. Não é que a nova gestão pública negue totalmente o papel do Estado, mas ela questiona sua forma tradicional de atuação, especialmente quando ela é vista como lenta, cara e pouco eficaz. Então, o gabarito é a letra C porque expressa bem a consequência ideológica dessa corrente: o governo deixa de ser tratado como solução natural e passa a ser visto, em muitos casos, como um problema a ser corrigido, reduzido ou reformado.