A corrupção compromete a eficácia das políticas públicas, desviando recursos essenciais, enfraquecendo a confiança nas instituições e ampliando as desigualdades sociais. Assinale a afirmativa correta acerca da abordagem necessária para o combate à corrupção.
- A)O combate à corrupção é mais eficaz quando se concentra exclusivamente na aplicação de leis rigorosas e sanções punitivas.
Errada, porque combater corrupção só com punição é insuficiente e ignora prevenção, transparência, controle social e mudança institucional.
- B)A adoção de um modelo gerencialista é suficiente para garantir o controle da corrupção em instituições públicas.
Errada, porque o gerencialismo ajuda na eficiência, mas sozinho não garante integridade nem elimina práticas corruptas.
- C)A eficácia no combate à corrupção requer, além das leis, uma mudança nos valores que sustentam sua aplicação e eficácia, com participação ativa dos cidadãos.
Certa, pois o combate à corrupção exige leis, mudança de valores, efetividade institucional e participação ativa dos cidadãos.
- D)Mecanismos burocráticos são capazes de combater a corrupção sem a necessidade de envolvimento da sociedade civil.
Errada, porque mecanismos burocráticos, sozinhos, não bastam sem fiscalização social, transparência e participação da sociedade civil.
- E)A perspectiva econômica e gerencialista é suficiente para alinhar os interesses do Estado e da sociedade no controle da corrupção.
Errada, porque a visão econômica e gerencialista, isoladamente, não resolve o problema nem substitui dimensões éticas e de controle social.
Gabarito: C
O combate à corrupção não funciona bem quando você aposta em uma única ferramenta mágica. Só lei e punição não bastam, porque a corrupção também depende de cultura institucional, incentivos, fiscalização, transparência e participação social. Em outras palavras: não é só “prender depois”, é também prevenir, organizar e vigiar antes. Na Administração Pública, a ideia central é que o controle da corrupção exige um conjunto de medidas. Isso envolve regras claras, órgãos de controle, integridade, prestação de contas e mecanismos que permitam ao cidadão acompanhar e cobrar a atuação estatal. A Constituição de 1988 reforça esse cenário ao prever princípios como legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, além do direito de acesso à informação e da participação social no controle da administração. O gabarito é a letra C porque ela acerta esse ponto: a eficácia do combate à corrupção depende não apenas das leis, mas também de uma mudança nos valores que dão sustentação à sua aplicação e efetividade. Se a sociedade e as instituições toleram o jeitinho, a norma vira enfeite; se há cultura de integridade e participação cidadã, a regra ganha força de verdade. Então, o foco correto é amplo: norma + valores + controle social. A corrupção é um problema jurídico, administrativo e também cultural. Por isso, a solução séria precisa atacar a estrutura que permite o desvio, e não apenas reagir quando o estrago já aconteceu.