O Estado Neoweberiano (NWS) tornou-se um referencial importante para teorias e reformas na gestão pública. Baseado no conceito introduzido por Christopher Pollitt e Geert Bouckaert em 2004, ele representa uma evolução do paradigma da administração pública após o declínio da New Public Management (NPM) como modelo global. O NWS é
- A)uma versão completamente oposta ao modelo de burocracia weberiana, desconsiderando seus princípios originais.
Errada, porque o NWS não rompe com a burocracia weberiana; ele a preserva e atualiza com novos instrumentos de gestão.
- B)uma adaptação do paradigma weberiano, incorporando elementos do NPM.
Certa, porque o NWS combina a base weberiana com elementos do NPM, formando um modelo de síntese e adaptação.
- C)uma reprodução direta do NPM sem influências de outros modelos.
Errada, porque o NWS não é mera reprodução do NPM, já que recupera princípios clássicos da administração pública.
- D)uma rejeição completa das críticas ao modelo de burocracia weberiana feitas pelos protagonistas do NPM.
Errada, porque o NWS não rejeita em bloco as críticas e contribuições do NPM, mas seleciona o que pode ser incorporado ao Estado administrativo.
- E)um modelo exclusivamente anglo-americano, sem relevância para a Europa Continental.
Errada, porque o NWS não é exclusivo do mundo anglo-americano; ele também dialoga com a tradição da Europa Continental.
Gabarito: B
O Estado Neoweberiano (NWS) surge como uma resposta ao excesso de “mercantilização” e fragmentação trazidos pelo New Public Management (NPM). A ideia central não é jogar fora Weber e começar do zero, mas atualizar a burocracia clássica com mais foco em resultados, eficiência, serviço ao cidadão e capacidade de adaptação. Em outras palavras: mantém-se a importância de regras, profissionalização e impessoalidade, mas com uma gestão mais aberta e orientada para entregas concretas. Christopher Pollitt e Geert Bouckaert, ao trataram do NWS em 2004, apontaram exatamente essa combinação: preservação dos pilares do Estado administrativo weberiano, somada a elementos que o NPM popularizou, como desempenho, qualidade e atenção ao usuário. É um modelo de síntese, não de ruptura total. Por isso, ele não é uma cópia do NPM, nem sua negação completa. Na prática, o NWS tenta equilibrar duas necessidades que sempre brigam na administração pública: ordem e flexibilidade. Se a burocracia tradicional pode ser rígida demais, o NPM pode ser “empolgado” demais com metas e mercado. O NWS entra no meio do caminho e diz: dá para ter disciplina institucional e, ao mesmo tempo, gestão mais responsiva. Assim, o gabarito B está correto porque descreve o NWS como uma adaptação do paradigma weberiano, incorporando elementos do NPM. Essa é a essência do conceito doutrinário de Pollitt e Bouckaert, muito cobrada em provas quando a banca quer ver se você entende que o NWS é uma evolução híbrida, e não um rompimento radical.