O governo eletrônico (e-gov) consiste no uso de tecnologia da informação e comunicação (TICs) combinado com mudanças organizacionais para aperfeiçoar as estruturas e operações do governo. Com relação ao e-gov, analise as afirmativas a seguir. I. O e-gov é uma alternativa mais rápida e prática para os cidadãos no acesso a serviços governamentais. II. A percepção de risco pelos cidadãos, como em questões de privacidade e segurança, pode desencorajá-los a utilizar os sistemas de e-gov. III. O uso de serviços presenciais tradicionais tende a aumentar quando os cidadãos percebem o uso de e-gov como arriscado. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
A alternativa afirma que apenas a primeira proposição estaria correta, isto é, que o e-gov torna o acesso a serviços públicos mais rápido e prático. Essa ideia é verdadeira, mas a opção erra ao desconsiderar que a percepção de risco e a migração para canais presenciais também são efeitos reconhecidos na adoção de serviços digitais. Em e-gov, a literatura sobre uso de TICs mostra que privacidade, segurança e confiança influenciam diretamente a intenção de uso.
- B)I e II, apenas.
A alternativa sustenta que o e-gov é mais rápido e prático e que a percepção de risco pode afastar o cidadão do uso digital. Esses dois pontos estão alinhados com a lógica da transformação digital no setor público: menos burocracia, mais conveniência, mas também dependência de confiança do usuário. Ela falha porque a terceira afirmação também está correta, já que o medo de risco costuma levar parte dos cidadãos a preferir atendimento presencial.
- C)I e III, apenas.
A alternativa diz que o e-gov facilita o acesso aos serviços e que, quando o cidadão enxerga risco no ambiente digital, tende a buscar alternativas mais seguras. Esse raciocínio é coerente com o comportamento de uso de tecnologia, em que a percepção de risco reduz a adesão ao canal eletrônico e pode deslocar a demanda para o atendimento tradicional. O erro está em excluir a segunda proposição, que também é verdadeira ao apontar a privacidade e a segurança como fatores que desencorajam o uso.
- D)II e III, apenas.
A alternativa reúne a ideia de que a percepção de risco afeta negativamente a adoção do e-gov e de que isso pode empurrar o usuário para o atendimento presencial. Além disso, essa combinação é compatível com a literatura de confiança em serviços digitais, na qual risco percebido e resistência ao canal eletrônico andam juntos. Ela fica incorreta porque a primeira afirmativa também é verdadeira: o e-gov busca justamente tornar o acesso do cidadão mais rápido e prático.
- E)I, II e III.
A alternativa reúne corretamente as três ideias do enunciado. O e-gov tem por finalidade simplificar e agilizar o acesso do cidadão aos serviços públicos, mas sua adesão depende de confiança; por isso, riscos percebidos de privacidade e segurança reduzem o uso do canal digital e podem levar ao retorno aos serviços presenciais. Esse encadeamento é compatível com a literatura de adoção de TICs e de governo eletrônico.
Gabarito: E
O governo eletrônico, ou e-gov, é o uso de TICs para melhorar a prestação de serviços públicos e a relação entre Estado e cidadão. Na prática, ele busca deixar o acesso mais rápido, simples e disponível sem que a pessoa precise enfrentar fila, horário restrito ou papelada desnecessária. É o clássico caso em que a tecnologia trabalha para o serviço público, e não o contrário. A afirmativa I está correta porque o e-gov realmente tende a facilitar a vida do cidadão, tornando o acesso a serviços governamentais mais ágil e prático. A afirmativa II também está correta: quando a pessoa teme exposição de dados, fraude ou uso indevido de informações, ela pode evitar o sistema digital. Isso conversa com discussões clássicas da literatura sobre adoção de serviços eletrônicos, em que confiança, privacidade e segurança influenciam a utilização. A afirmativa III também está correta. Se o cidadão percebe o e-gov como arriscado, é comum preferir o atendimento presencial tradicional, mesmo que ele seja mais demorado. Ou seja, o risco percebido empurra o usuário de volta para o balcão físico, porque muita gente ainda pensa: melhor perder tempo na fila do que perder dados na internet. Por isso, o gabarito é a letra E, porque as três afirmações estão compatíveis com a lógica do governo eletrônico e com os fatores que influenciam sua adoção.