Com os movimentos de reforma do Estado e da administração pública no mundo, cresceram as oportunidades de operação e gestão de redes organizacionais no provimento de bens públicos. O formato de políticas e serviços em redes contrapõe-se às perspectivas anteriores baseadas em processos top-down ou bottom-up. É(são) característica(s) da gestão em redes organizacionais:
- A)centralização, controle e coordenação a partir do Estado;
Errada, porque centralização, controle e coordenação a partir do Estado descrevem um modelo hierárquico e centralizador, não uma rede.
- B)autoridade hierárquica no planejamento e definição da política e suas metas;
Errada, porque autoridade hierárquica no planejamento e na definição de metas é característica da administração burocrática ou do comando vertical, não da gestão em rede.
- C)descentralização decisória para atores locais representantes de usuários e população;
Errada, porque descentralização decisória para atores locais pode existir em políticas descentralizadas, mas isso sozinho não define gestão em redes organizacionais.
- D)engajamento local na representação de interesses nos processos de controle social de recursos estatais;
Errada, porque engajamento local e controle social são importantes na participação pública, mas a alternativa é estreita demais e não captura a lógica de interdependência entre múltiplos atores.
- E)inter-relação com atores heterogêneos, interdependência, realização coletiva com troca de informações, objetivos e recursos
Certa, porque gestão em redes envolve atores heterogêneos, cooperação, interdependência e troca de informações, objetivos e recursos para produzir resultados coletivos.
Gabarito: E
A gestão em redes organizacionais aparece no contexto da reforma do Estado e da administração pública gerencial, quando o governo deixa de atuar sozinho e passa a coordenar uma teia de atores para entregar políticas e serviços. Em vez de uma lógica totalmente vertical, com comando de cima para baixo, a rede funciona com cooperação entre órgãos públicos, organizações da sociedade civil, empresas e grupos locais. É um modelo muito ligado à ideia de governança, em que ninguém resolve tudo sozinho e a coordenação vira peça central. Nesse arranjo, o foco está na interdependência: cada ator tem uma parte do recurso, da informação ou da capacidade de التنفيذ da política. Por isso, a troca de informações, a cooperação e a construção coletiva de objetivos são marcas essenciais. A gestão em rede não depende só de hierarquia formal, mas de articulação e negociação contínuas entre participantes com interesses diferentes. A alternativa E descreve exatamente isso ao falar em inter-relação com atores heterogêneos, interdependência, realização coletiva e troca de informações, objetivos e recursos. É a cara da gestão em rede: menos isolamento institucional, mais conexão e coordenação entre vários centros de decisão. Vale lembrar que isso conversa com a evolução da administração pública no Brasil, saindo do patrimonialismo e da burocracia rígida para modelos mais flexíveis e orientados a resultados e articulação social. Na prática, a rede é o oposto da lógica puramente hierárquica: ela exige cooperação, confiança e compartilhamento, não apenas ordem e controle.